Lula e Flávio disputam narrativa sobre o tarifaço nos EUA

Audiência pública sobre as taxações terá a presença do candidato da oposição à Presidência

Por Gabriela Gallo

Depois de se encontrar com Trump, Flávio participa de audiência sobre tarifaço

Em meio às últimas negociações acerca da determinação do governo dos Estados Unidos (EUA) para impor tarifas de 25% a produtos brasileiros, prevista para começar a partir de 15 de julho, nesta segunda-feira (6) o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) inicia uma audiência pública para discutir o tarifaço.

A audiência está agendada para começar às 9h da manhã na Comissão de Comércio Internacional dos EUA, em Washington. Dentre as autoridades confirmadas para participar dos painéis da audiência, o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participará de um painel nesta terça-feira (7), às 10h. Ele dividirá a mesa com Roberto Azevedo, representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Assim, o tarifaço virará disputa política, com uma batalha de narrativas entre governo e oposição sobre o tema. Isso porque representantes do governo federal confirmaram que se reunirão novamente com o representante do USTR, Jamieson Greer, para uma nova rodada de negociações para tentar impedir a implementação do tarifaço. A data, contudo, ainda não foi agendada.

Misoginia

Com duas semanas de trabalho antes do recesso parlamentar, que ocorrerá de 18 de julho a 31 de julho, ambas as Casas do Congresso Nacional se articulam para aprovar projetos relevantes antes do segundo semestre. Após o plenário da Câmara dos Deputados aprovar em regime de urgência, na última quarta-feira (1º), o projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo (PL 896/2023), a expectativa é que nesta semana a relatora do projeto, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), se articulará com as principais lideranças da Casa para chegar a um acordo para aprovar a proposta ainda no primeiro semestre. Na votação da urgência, 293 parlamentares votaram favoráveis ao projeto e 158 se manifestaram contrários.

Se equiparado ao racismo, a prática de misoginia (que é o ódio e aversão às mulheres exclusivamente por uma questão de gênero) se tornará um crime inafiançável. Na prática, a medida altera o Código Penal e prevê uma pena de dois a cinco anos de prisão. E o texto ainda abrange episódios praticados no âmbito digital, permitindo a suspensão temporária de contas ou perfis que propaguem ódio contra as mulheres.

6x1

Sobre a Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho de trabalhadores com carteira assinada de 44 horas semanais para 40 horas semanais e determina o fim da escala 6x1 (PEC 221/2019), ainda não há previsão para a medida ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, tampouco foi escolhido um relator para medida.

Contudo, a expectativa é que a Câmara comece a discutir, e eventualmente votar o Projeto de Lei complementar nº 186/2026, que amplia o limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) e aumenta o limite do microempreendedor de contratar até dois funcionários com carteira de trabalho (atualmente, a legislação limita para somente um funcionário CLT por MEI).

Além disso, também segue a expectativa dos plenários da Câmara e do Senado votarem a Medida Provisória (MP) nº 1348/2026 que destina até 3% dos recursos obtidos pelo governo com apostas de quota fixa, as chamadas Bets, para o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da Polícia Federal (Funapol). O texto foi aprovado na comissão mista com parlamentares de ambas as Casas do Legislativo e segue para votação nos plenários.

Eleições

Nas preparações para as eleições gerais, nesta segunda-feira o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza, a partir das 15h, uma audiência técnica com as equipes de tecnologia de veículos de comunicação e demais instituições interessadas em receber e divulgar os resultados oficiais das eleições. A medida visa alinhar os procedimentos técnicos com as instituições que utilizarão os dados oficiais do tribunal para garantir segurança, transparência e padronização na divulgação dos resultados das Eleições deste ano.

Na audiência, os técnicos do TSE apresentarão o modelo de distribuição dos resultados oficiais, os padrões tecnológicos adotados pelo tribunal, os requisitos de segurança da informação e as orientações técnicas para acessar os serviços disponibilizados pela Justiça Eleitoral.

Devido ao recesso do Poder Judiciário, que se estende até 31 de julho, a audiência (que ocorrerá à distância) não contará com os ministros do Tribunal, e somente com os técnicos do TSE.

Quanto aos pré-candidatos que disputam a Presidência da República, apesar de o calendário do TSE determinar que as convenções partidárias estão agendadas para ocorrerem de 20 de julho a 5 de agosto, cresce a expectativa quanto às convenções partidárias.

A convenção nacional do Partido Liberal para oficializar a candidatura presidencial do senador Flávio está agendada para o dia 25 de julho. Já a do Partido dos Trabalhadores para oficializar a candidatura à reeleição do presidente Lula está agendada para o dia 2 de agosto. Desde março, o presidente Lula já havia anunciado que seu atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) iria novamente compor sua chapa presidencial e concorrer novamente ao cargo com ele.

Para além de Lula e Alckmin, até o momento, somente três dos treze pré-candidatos à presidência lançaram sua chapa presidencial. Na última quinta-feira (2), o PSD lançou uma chapa pura na disputa pelo Palácio do Planalto, evento em que o Correio da Manhã esteve presente. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado disputará a presidência e o presidente do partido, Gilberto Kassab será seu vice. As candidaturas serão oficializadas em 26 de julho, na convenção do partido.

No mesmo dia, o Partido Missão (antigo MBL) também lançou uma chapa pura. Em um evento no Rio Grande do Sul, o pré-candidato do partido Renan Santos anunciou Aroldo Medina, também filiado à sigla, como seu vice.

Vale destacar que desde sábado (4), os agentes públicos que vão concorrer ao posto, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro, estão com limitações determinadas pela Justiça eleitoral.

Dentre as medidas, eles estão proibidos de comparecer em inaugurações de obras públicas e não podem realizar publicidade institucional. Além disso, eles também não podem nomear, demitir ou transferir servidores, tampouco realizar repasses voluntários de verbas da União para estados e municípios (exceto em convênios que estão já em andamento). A lei eleitoral determina essas proibições na intenção de garantir a igualdade entre os candidatos.