No Mercosul, Lula defende multilateralismo sem questões ideológicas

"Ninguém é dono da América do Sul", defendeu Lula em discurso

Por Gabriela Gallo

Lula: presidente de esquerda em maioria de direita

Com a vitória de Keiko Fujimori na disputa do governo no Peru e de Abelardo De La Espriella na presidência da Colômbia, a América do Sul passa a ter a maioria de seus países governada por presidentes da direita ou centro-direita. As exceções são o Brasil, a Venezuela, o Uruguai, a Guiana, a Guiana Francesa e o Suriname.

Com esse quadro, durante sua participação na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul realizada nesta terça-feira (30), em Assunção (Paraguai), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que, apesar das posições políticas, “o projeto de integração sul-americano deve estar acima de ideologias”.

“A melhor opção é fortalecer nossos mecanismos de diálogo e cooperação e ampliar nossa capacidade de atuação conjunta”, afirmou Lula. Na intenção de não se mostrar isolado no bloco, ele focou seu discurso em temas pragmáticos, como combate ao crime organizado, mudanças climáticas, infraestrutura, defesa da democracia e, ao final, voltou a defender o multilateralismo entre as nações, independente de questões ideológicas.

“Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses. Diversificar parcerias, ampliar a cooperação e preservar a autonomia são requisitos para que a região encontre seu espaço em um mundo em transformação”, ressaltou o chefe de Estado brasileiro.

Criado em 1991, o Mercosul é o bloco político e econômico que engloba países da América do Sul. Os membros titulares são: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia (que está em processo de adesão) e a Venezuela (que atualmente está suspensa por descumprir o Acordo do Ushuaia). Além disso, também integram o grupo como estados associados, que são os países que tem acordos comerciais com os países títulares: Chile, Guiana, Suriname, Colômbia, Equador e Peru).

Economia

Dentre os tópicos em discussão no Mercosul está a implementação do novo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), criado para reduzir as desigualdades entre os países do bloco sul-americano. O governo brasileiro anunciou que enviará o valor anual de US$ 100 milhões para um novo fundo, já que o atual tem sido insuficiente.

Além disso, em seu discurso, o presidente brasileiro ainda sugeriu que o sistema de transferência financeiro instantâneo, o Pix, passe a ser adotado nos demais países do Mercosul, a fim de trazer maior intregração financeira aos países do grupo.

“Experiências nacionais bem-sucedidas devem ser compartilhadas entre os países do bloco. O Pix, sistema brasileiro público e gratuito de pagamentos, é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital. Sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos, que beneficiará todos os cidadãos do Mercosul. A integração financeira reduzirá custos, fortalecerá o comércio intrabloco, ampliará o uso de moedas locais e aumentará nossa resiliência frente a choques externos”, afirmou Lula.