Banco da Universal tinha modus operandi semelhante ao Master
Operação alcança Banco Digimais, acusado de falsificar dados, oferecendo CDBs acima do mercado
O Banco Digimais, do fundador da Igreja Universal Reino de Deus, bispo Edir Macedo, foi alvo da Operação Miragem da Polícia Federal (PF), deflagrada nesta terça-feira (23) para apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional (o conjunto de órgãos, entidades supervisoras e instituições operativas que regulam, fiscalizam e executam a circulação de moeda e crédito no país).
Os delitos são de fraudes bancárias e financeiras na gestão do banco. A PF emitiu nove mandados de busca e apreensão contra dez empresas e oito pessoas físicas, incluindo o bispo.
Como Edir Macedo não mora no Brasil, não foi expedido um mandato de busca e apreensão em sua residência, mas as autoridades autorizaram o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, tal como o sequestro e bloqueio de bens e valores de mais de R$ 670,3 milhões.
Manipulação
De acordo com a PF, relatórios do Banco Central (BC) apontam que os investigados “teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, aparentar solvência perante os órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares”. Se condenados, os investigados podem responder pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas.
As investigações policiais apontam que o modus operandi do Bando Digimais era semelhante ao esquema de falsificação financeira do Banco Master. Ambas as instituições financeiras manipularam seus reais dados, “engordando” suas carteiras de crédito, e ambas ofereciam CDBs (Certificados de Depósito Bancário), investimento de renda fixa emitido por bancos, acima da média do mercado. Antes de ser liquidado, o Master chegou a oferecer entre 120% e 140% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), uma taxa de juros de curto prazo cobrada em empréstimos entre bancos. O Digimais oferecia taxas que variavam de 111% a 120% do CDI.
Na mesma linha, outro ponto semelhante na estratégia dos dois bancos é a precificação de ativos dos bancos bem acima do seu real valor de mercado. A medida visava inflar o balanço da instituição e dar lastro a uma maior emissão de CDBs.
Resposta
Por meio de nota divulgada à imprensa, o Banco Digimais disse que “permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso”. “A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes”, disse a nota.
Vale destacar que, em 20 de maio deste ano, a instituição financeira já havia emitido uma nota de esclarecimento sobre matérias jornalísticas que apontavam “irregularidades contábeis” praticadas pela instituição e que o banco teria feito uma manobra para limpar seu balanço de modo a ocultar um prejuízo milionário. Na época, a instituição financeira se referiu as reportagens como “irresponsáveis” e “imprudentes”. “Trata-se de narrativas plantadas com claro intuito de prejudicar a imagem pública e a solidez da instituição”, disse o Banco Digimais na época.