Perto de Trump, Lula critica protecionismo global e unilateralismo

No G7, presidente defendeu que combate ao crime organizado deveria respeitar a soberania dos países

Por Gabriela Gallo

Lula posou com os demais chefes de Estado reunidos no G7

No segundo dia da Cúpula do G7, grupo formado pelos sete países das maiores economias do mundo, nesta terça-feira (16), o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump (Republicano), posaram juntos na foto oficial do evento, que ocorre em Évian-les-Bains (França), mas não apertaram as mãos, tampouco se encontram após a foto. Além disso, sem citar o presidente norte-americano, o presidente brasileiro defendeu o multilateralismo e criticou o protecionismo, especialmente econômico, de governos globais.

“Ficamos aprisionados em dogmas que defendem desregulamentação de mercados, Estado mínimo e austeridade fiscal como fins em si mesmos. O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas. A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo”, defendeu Lula em sua discurso no G7.

O chefe de Estado brasileiro ainda defendeu que o combate ao crime organizado precisa levar em consideração “a soberania dos Estados”.

“Um deles, é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados”, disse o presidente brasileiro.

A declaração veio dias após o governo dos Estados Unidos enquadrar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas – o que permite aos EUA eventualmente intervir no Brasil, além de aumentar fiscalização em produtos e serviços brasileiros, caso os Estados Unidos considerem que estes sejam uma ameaça ao país.

O Brasil não é membro definitivo do G7. Então, Lula discursou na condição de país convidado pelo governo francês. O G7 é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. A União Europeia (UE) também participa como membro institucional do grupo.

Importação

Para além de um possível encontro com Trump, o presidente brasileiro se reuniu com outros chefes de Estado para firmar parcerias econômicas para o Brasil. Um dos encontros desta terça-feira foi uma reunião que Lula teve com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, para discutirem sobre a revisão de restrições a produtos brasileiros, incluindo carne e materiais siderúrgicos. Isso porque, no dia 6 de junho, a União Europeia oficializou a decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil para os países do grupo europeu. A priori, a medida está prevista para entrar em vigor a partir de 3 de setembro.

“Nos comprometemos a buscar soluções que contemplem as preocupações europeias, seja de ordem sanitária, fitossanitária e de proteção da sua indústria de aço, bem como os legítimos interesses exportadores do Brasil, em consonância com o acordo Mercosul-União Europeia”, manifestou Lula, por meio de suas redes sociais.