Duas novas pesquisas indicam vantagem de Lula nas eleições

Futura/Apex e CNT confirmam liderança nacional. Real Time Big Data mostra o quadro em São Paulo

Por Beatriz Cicci

Para analista, mais que bom momento de Lula, mau momento de Flávio

Duas novas pesquisas publicadas nesta terça-feira (16) voltam a confirmar a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste momento da corrida eleitoral.

A pesquisa Futura/Apex segue os levantamentos da pesquisa BTG/Nexus desta segunda-feira (15) que, pela primeira vez este ano, mostrou a aprovação de Lula maior que a desaprovação em 2026.

A aprovação do governo vinha diminuindo desde fevereiro. Em maio, se encontrava em 44.9%, com uma desaprovação de 51.8%. Porém, as análises mais recentes indicam uma mudança nesta tendência. De maio a junho, a desaprovação de Lula caiu de 49.6% para 47.7% e a aprovação aumentou quase cinco pontos percentuais, para 49.6%.

A Futura/Apex revela um aumento de pessoas que consideram o governo “ótimo ou bom” (de 37.5% para 41.4%) e uma queda entre aqueles que o veem como “ruim ou péssimo” (de 51.8% para 47.7%).

O mesmo foi visto na 168ª Rodada da Pesquisa CNT de Opinião, que estabeleceu que Lula recebe uma avaliação positiva de 35.3%, e uma negativa de 34.3%. Na espontânea, 34.6% dos respondentes disseram que votariam em Lula no primeiro turno, 19.8% votariam em Flávio – com 32.4% indecisos. Já na estimulada, Lula retêm 41.8% dos votos e Flávio 28.2%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, e Romeu Zema (Novo), com 2.8%. Já no segundo turno, Lula supostamente ganharia com 49.3% contra 36.8% de Flávio.

A pesquisa Futura/Apex também apresentou dez cenários de segundo turno, indicando que Lula ganharia contra todos os pré-candidatos. Contra Flávio, sairia à frente com seis pontos percentuais – 49.1% contra 42.9%. Na disputa com os outros candidatos, Lula está ainda mais consolidado, com uma vantagem de pelo menos 8 p.p. contra todos eles. Considerando a margem de erro de 2.2 p.p., ambas as pesquisas estabelecem uma tendência favorável à reeleição de Lula.

São Paulo

Em contraste, a pesquisa Real Time Big Data revelou que Flávio tem a maioria das intenções de voto no estado de São Paulo. De acordo com o levantamento, Flávio ganharia um eventual segundo turno contra Lula – com 47% dos votos contra 44.1%. São Paulo, com seus 34.6 milhões de votos, é um território estratégico. Porém, a diferença entre os dois não constitui uma grande vantagem, o que pode vir a ser problemático para Flávio, que terá que compensar por isso em outros estados.

Segundo o analista e cientista político André Pereira César, desaprovação a qualquer governo é uma coisa estrutural. Assim, o aumento numérico na aprovação de Lula é mais uma mudança simbólica do que o resultado de algum movimento específico. Para César, o que essas novas pesquisas evidenciam é a segurança de Lula, não só como governo mas figura pessoal.

“O governo fica ali cambaleando, mas o Lula está respirando forte, firme e em uma posição confortável hoje”, ele afirmou. Em paralelo, a aprovação de Lula vem junto à queda de Flávio devido ao seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro e com o presidente estadunidense Donald Trump.

César enfatizou que a política muda muito rapidamente e que essas flutuações são intensificadas pela polarização política no país.

“Eu falo: Lula e seu entorno, Flávio e seu entorno, porque são só os dois. Tanto o Caiado quanto o Zema, até o Renan Santos, não conseguem ganhar tração”, declarou, referindo-se aos candidatos do PSD, Ronaldo Caiado, do Novo, Romeu Zema, e do Missão, Renan Santos. “Flávio Bolsonaro tem uma base eleitoral consolidada e não perde votos para eleitores do Lula, mas teve a sua campanha enfraquecida e sua reputação manchada por problemas que, de acordo com César, “foram criados por ele mesmo”.

“As tendências estão dadas. Nesse momento, a curva é favorável ao Lula. Mas, mais do que serem favoráveis ao Lula, são desfavoráveis ao Flávio”, reiterou.