No G7, Lula busca reforçar multilateralismo

Apesar de não ter reunião confirmada, expectativa é de encontro com Trump

Por Gabriela Gallo

Lula se encontrou com Macron e tenta reunião com Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue em sua agenda internacional na Cúpula do G7, grupo dos sete países com a maior economia do mundo, que ocorre até esta quarta-feira (17) em Évian-les-Bains, na França.

Apesar de não ter confirmado um encontro com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump (Republicano), a expectativa de diplomacia brasileira é que Lula e Trump eventualmente se encontrem e conversem na cúpula para discutirem sobre as novas tarifas de 25% que os Estados Unidos implementaram sobre produtos brasileiros.

Além disso, o discurso de Lula no G7 deve citar o novo tarifaço e defender o multilateralismo, mas sem atacar diretamente a gestão de Donald Trump para evitar conflitos diplomáticos.

Mas enquanto não ocorre a reunião entre os chefes de Estado, o presidente Lula tem outros encontros para firmar parcerias comerciais. Nesta terça-feira (16), está prevista uma reunião do presidente brasileiro com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, para tratar de um acordo comercial entre o Japão e o Mercosul, grupo de países sul-americanos. Após o encontro, os chefes de Estado seguirão para mais uma reunião (fechada) com os líderes do G7.

Macron

Em seu primeiro dia do G7, nesta segunda-feira (15), Lula se reuniu com o presidente da França, Emmanuel Macron. Em um encontro bilateral de 40 minutos entre os presidentes, eles trataram do fortalecimento da cooperação entre a Guiana Francesa e o Amapá, bem como do interesse francês em apoiar o Brasil na área de supercomputadores e implementar em uma soberania digital. Eles ainda reiteraram os avanços que julgaram positivos da cooperação do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), iniciativa estratégica da Marinha do Brasil em 2008, firmada com a parceria com a França.

Antes de chegar em Évian-les-Bains, o brasileiro esteve em Genebra, na Suíça, onde se reuniu com o presidente suíço, Guy Parmelin, para tratar da ampliação do comércio bilateral entre os países e a diversificação das exportações entre Brasil e Suíça.

Segundo o Palácio do Planalto em nota divulgada à imprensa, os presidentes conversaram e chegaram ao consenso que o Acordo Mercosul-ETA (Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio, composta por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça) “representa uma oportunidade para ampliar o comércio, em um cenário global marcado pelo aumento do protecionismo e do unilateralismo”. Eles ainda decidiram expandir a cooperação bilateral em áreas como inteligência artificial (IA), transição energética, minerais críticos, biotecnologia, saúde e defesa.

Acordo EUA-Irã

No primeiro dia da Cúpula do G7, o governo dos Estados Unidos e do Irã firmaram um acordo preliminar para encerrar a guerra no Oriente Médio. O acordo foi assinado digitalmente pelo presidente Donald Trump, o vice-presidente dos EUA JD Vance, e o e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Segundo Donald Trump, o texto completo do acordo de césar fogo será divulgado nesta sexta-feira (19), com a assinatura formal do documento. Além disso, o Estreito de Hormuz também segue aberto até esta sexta-feira.

Ao desembarcar na França, em reunião com Emmanuel Macron no primeiro dia da cúpula do G7, Trump informou que o fim da guerra no Oriente Médio será pauta de discussão entre os países da cúpula, tal como uma discussão para encerrar a Guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que já se estende a quatro anos. A previsão é que Trump se reúna nesta terça-feira com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy.

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