Câmara deve votar 6X1 e Misoginia esta semana

Semelhante à PEC aprovada na Casa, PL da redução da jornada de trabalho visa destravar pauta

Por Gabriela Gallo

Mesmo com sessões virtuais, Motta pretende colocar projetos em votação

Apesar da semana com sessões virtuais na Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (16) está agendada para 14 horas a reunião de líderes que discutirá o projeto de lei apresentado pelo governo que determina a redução da jornada de trabalho e determina o fim da escala 6X1 (em que o empregado descansa somente um dia da semana).

Os parlamentares também debaterão o chamado PL da Misoginia, projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo (que é inafiançável). E, segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a previsão é que ambos os temas sigam para votação no plenário da Casa ainda nesta semana.

6X1

Apesar de ser o mesmo tema da Proposta de Emenda à Constituição aprovada com ampla maioria no plenário da Câmara (PEC 221/2019), que atualmente está pendente no Senado Federal, o Projeto de Lei nº 1.838/2026, encaminhada pelo Poder Executivo, está travando a pauta na Câmara. Isso porque, quando o governo federal encaminhou a medida, o projeto chegou com regime de urgência constitucional, ou seja, tinha o prazo de 45 dias para ser analisado na Câmara. Como o texto foi entregue em 14 de abril, o prazo de discussão e votação do projeto expirou, o que travou a pauta.

Diante disso, Motta definiu na última semana o deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), mesmo relator da PEC 221/2019, como relator do PL do governo estrategicamente para acelerar a votação da medida e destrancar a pauta para outros temas que os parlamentares consideram prioritários.

Ambos os projetos determinam a redução da jornada de trabalho de trabalhadores com carteira assinada de 44 horas semanais para 40 horas semanais, além de determinar o fim da escala 6X1 para, no mínimo, uma escala 5X2, sem redução salarial. A questão é que, enquanto a Proposta de Emenda à Constituição altera a Legislação brasileira, o projeto de lei do governo altera a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e outras normas trabalhistas.

Misoginia

O Projeto de Lei (PL) nº 896/2023, batizado de PL da Misoginia, criminaliza a misoginia (que é o ódio, desprezo ou aversão extrema à mulheres exclusivamente por questões de gênero) e a equipara ao crime de racismo, que é previsto na Constituição brasileira como inafiançável. A relatora da proposta, deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), apresentará aos líderes o texto final definido no Grupo de Trabalho (GT) da Casa para debater o tema, também coordenado por Tabata. O GT votará o parecer substituto também nesta terça-feira.

O relatório da parlamentar fez algumas alterações em relação ao texto aprovado no Senado Federal. O texto substitutivo da relatora alterou a definição de misoginia. “A fim de preservar a uniformidade conceitual da legislação penal e processual penal sobre o tema, propomos a substituição dos termos ‘ódio’ e ‘aversão’, previstos no projeto para a caracterização da misoginia, pelas expressões ‘menosprezo ou discriminação’ em razão da ‘condição de mulher’”, defendeu Tabata Amaral.

O texto determina pena de dois a cinco anos de prisão por injúria voltada exclusivamente pela condição do gênero feminino. Para ampliar os ataques contra mulheres, que se estende para o conteúdo virtual (e aos chamados “red pills”, grupos de homens que pregam ódio contra mulheres na internet com intenção de monetizar e engajar digitalmente), a medida também permite a suspensão temporária de contas ou perfis em redes sociais que cometam misoginia.