Independentes no centro da estratégia de Lula e Flávio

Após Quaest, campanhas miram os chamados eleitores "nem-nem"

Por Gabriela Gallo

Nem Lula nem Flávio: independentes no foco

O último levantamento do Instituto de Pesquisa Genial/Quaest, divulgado na quarta-feira (10), registrou uma oscilação dos eleitores independentes, que são aqueles que não se alinham diretamente nem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem com seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os chamados “nem-nem”.

Esse grupo, assim, oscila entre as candidaturas e, por isso, sua decisão final é considerada determinante no resultado. Segundo a pesquisa, o petista subiu de 29% para 37% nas intenções de voto nesse segmento, enquanto o primogênito do clã Bolsonaro apontou queda de 31% para 24% nas intenções de voto. Antes, esses eleitores manifestavam uma preferência pelo pré-candidato do clã Bolsonaro. Diante disso, tanto a equipe do presidente da República quanto a do senador estão mudando suas estratégias para tentar cativar os eleitores independentes.

Em um cenário eleitoral polarizado, no qual ambos os candidatos principais apresentam altas taxas de intenções de voto e de rejeição, o cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rodrigo Prando explicou ao Correio da Manhã que, nesses cenários, não basta “não gostar de alguém”, é necessário escolher “entre quem eu não gosto tanto, mas ainda assim eu gosto mais do que o outro que eu odeio”.

O cientista político destacou que os dois presidenciáveis têm uma parcela do eleitorado fiel. Lula diante de sua história política e trajetória em disputar eleições desde 1989, e Flávio graças ao espólio que ele herdou do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Eles vão buscar desgastar um ao outro e tentar convencer esse percentual de pessoas não alinhadas com eles de que eles são as melhores opções, dado que o outro lado tem uma rejeição muito grande”, destacou Prando.

Alguns movimentos dos candidatos para tentar furar suas bolhas eleitorais têm sido manifestados. Por exemplo, durante agenda nos municípios de Altamira e Belém, no Pará, Flávio Bolsonaro usou uma camiseta com a mensagem "A Amazônia é nossa". Além disso, na busca de ampliar seu alcance no eleitorado feminino, o senador tem manifestado que busca uma mulher para ser sua vice em sua chapa eleitoral. Na mesma linha, Lula tem tentado se aproximar os evangélicos, na intenção de chegar nesse eleitorado, que tende a ter um perfil mais conservador.

Estratégias

Para a reportagem, Rodrigo Prando citou o pesquisador Patrick Charaudeau, especialista em análise do discurso, uma plateia geralmente é dividida em três grupos: um grupo que concorda com o que a pessoa está dizendo, outro grupo que não concorda e um terceiro grupo que pode ou não concordar. E nessa lógica, a principal estratégia é focar no terceiro grupo, já que dificilmente se mudará o posicionamento dos outros dois.

Com o desgaste recente na imagem de Flávio Bolsonaro após o vazamento das conversas entre o senador e o dono do Banco Master Daniel Vorcaro para financiar o filme de Jair Bolsonaro “Dark Horse”, o cientista político reiterou que a expectativa é que Lula aproveite o momento para “colar” uma imagem negativa de Flávio Bolsonaro. Além disso, reforçar que a família Bolsonaro tem feito um “ataque à soberania brasileira”, considerando que após a ida de Flávio aos Estados Unidos, o governo de Donald Trump comunicou um novo tarifaço a produtos brasileiros e passou a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, o que leva a preocupação de possível intervenção norte-americana.

Já o senador Flávio Bolsonaro deve focar na idade avançada do presidente Lula, que neste ano completa 81 anos, reforçar o sentimento antipetista e histórico negativo do presidente (como o escândalo do Mensalão e a prisão de Lula), e propostas voltadas para a segurança pública.

Vorcaro

Em novos desdobramentos do caso Master, na noite desta quinta-feira (11), a Polícia Federal (PF) comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeitou, pela segunda vez, o pedido de delação premiada de Daniel Vorcaro. A decisão já fora comunicada aos advogados de defesa do banqueiro. Tal como na primeira vez que o pedido foi rejeitado, a PF alega que os documentos e informações concedidas por Vorcaro não somam ao que já está em curso pela investigação e, consequentemente, não eram úteis. Com isso, o banqueiro, que atualmente está detido na Superintendência da PF, em Brasília, pode ser transferido para Complexo Penitenciário da Papuda.