Vorcaro tem semana decisiva para salvar delação
Defesa do empresário tenta apresentar novos elementos para viabilizar acordo de colaboração, enquanto investigadores cobram informações inéditas
O novo pedido de delação premiada do empresário Daniel Vorcaro pode enfrentar uma semana decisiva. Preso preventivamente e apontado como a figura central das investigações do Caso Master, o dono do banco tenta convencer autoridades de que ainda possui informações relevantes capazes de contribuir com os inquéritos em andamento.
Nos bastidores, porém, o clima é de ceticismo. Integrantes da Polícia Federal (PF) avaliam que os elementos apresentados até agora não trouxeram novidades suficientes para justificar o avanço das negociações. A expectativa é de que a defesa apresente novos documentos e informações nos próximos dias. Caso isso não aconteça, a tendência é de nova rejeição da proposta atual.
Pressão
A corrida contra o tempo ganhou força após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso. O magistrado autorizou acesso ampliado dos advogados ao empresário até o fim desta semana, permitindo reuniões diárias de longa duração na Superintendência da Polícia Federal.
Segundo relatos de investigadores, os encontros têm ocupado várias horas por dia e são vistos como uma oportunidade final para que a defesa apresente fatos considerados efetivamente novos. A partir da próxima semana, o contato entre cliente e advogados deverá ser reduzido, limitando o tempo disponível para a construção de uma eventual colaboração.
Nos bastidores, investigadores afirmam que a medida busca acelerar as definições sobre o futuro das negociações e evitar sucessivas promessas de apresentação de provas que acabam não se concretizando.
Resistência
Um dos principais entraves apontados pela PF é que parte das informações entregues por Vorcaro já era conhecida pelos investigadores ou havia sido divulgada publicamente.
Entre os exemplos citados estão os repasses relacionados ao filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e referências a operações envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A avaliação de investigadores é que esses fatos não abriram novas frentes de apuração nem trouxeram elementos inéditos capazes de ampliar significativamente as investigações.
Outro fator que aumenta a pressão sobre Vorcaro é a movimentação paralela do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A defesa dele já formalizou junto ao STF o interesse em firmar um acordo de colaboração, criando uma disputa informal por benefícios que costumam ser mais vantajosos para quem consegue fechar acordo primeiro.
Enquanto a PF concentra esforços na utilidade das informações oferecidas, a Procuradoria-Geral da República (PGR) trabalha sob outra lógica. O principal interesse dos procuradores é ampliar a recuperação de recursos supostamente ligados ao esquema investigado.
As negociações envolvem valores bilionários e incluem patrimônio, fundos e ativos mantidos no exterior. Segundo fontes ligadas às tratativas, as discussões sobre eventual ressarcimento evoluíram nos últimos meses e continuam em andamento.