Vorcaro tratou como prioridade pagamentos para "Dark Horse"
Trocas de favores entre banqueiro e Ciro Nogueira incluíram viagem de quase R$ 2 milhões
Para além dos demais negócios fechados antes do Banco Master falir, seu dono, Daniel Vorcaro, priorizou transferir recursos acordados previamente para financiar o filme “Dark Horse”, longa metragem biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As informações são do Intercept Brasil, que divulgou nesta terça-feira (2) nova leva de troca de conversas de Vorcaro a respeito do dinheiro para o filme que foi pedido pelo senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Trocas de mensagens entre Vorcaro e Fabiano Zettel, seu cunhado e o responsável por coordenar as operações financeiras para o banqueiro, apontam que o banqueiro tinha 55,5 milhões em pagamentos pendentes (as conversas não especificam se os valores se referem a reais ou dólares). E mesmo com esse montante necessário para ser repassado, Vorcaro ressaltou que o filme era “o mais importante disparado”. Zettel responde que o valor não englobava os valores do filme. A mensagem foi entregue em 28 de janeiro de 2025.
Para contribuir na produção e elaboração do longa metragem do ex-presidente Vorcaro se comprometeu a pagar US$ 24 milhões (o equivalente a R$ 134 milhões na cotação da época) para financiar o filme. Ele chegou a repassar US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões).
Após a mensagem de 28 de janeiro, as cobranças de Flávio para pagar o financiamento do filme foram se intensificando até, em 16 de novembro, o próprio senador mandar uma mensagem direta a Vorcaro cobrando o restante do valor para o longa. Em 17 de novembro, o dono do Master foi preso e, em 18 de novembro do banco foi liquidado pelo Banco Central (BC).
Ciro
Outro desdobramento das investigações acerca do caso Master se refere às relações entre Daniel Vorcaro e o senador da República e presidente do Progressistas (PP), Ciro Nogueira (PI).
Em maio, o parlamentar virou alvo da Polícia Federal (PF) na 5ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro-relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Segundo as investigações da polícia, após dados contidos nos aparelhos eletrônicos apreendidos de Vorcaro, o senador recebia uma mesada do banqueiro, que variava entre R$ 300 mil a R$ 500 mil, para atuar como um elo nos interesses do Banco Master com o Congresso Nacional. Dentre as medidas, Ciro propôs a chamada “emenda Master” que determinava o aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, quadruplicando o limite de ressarcimento por correntista.
Além dos pagamentos mensais, a relação também se desenrolou com uma série de trocas de favores financiadas por Daniel Vorcaro, como jantares e viagens internacionais. E dentre essas viagens internacionais, ambos passaram treze dias em Courchevel, estação de esqui de luxo localizada nos Alpes Franceses, acompanhados de suas então companheiras, com as despesas bancadas pelo dono do Banco Master. As informações são da Polícia Federal e foram divulgadas nesta terça-feira (2) pela Revista Piauí.
Ao todo, a viagem custou R$ 1,8 milhões. Segundo as investigações, Ciro Nogueira e a namorada Flávia Rosalen permaneceram nos Alpes Franceses de dias 12 e 25 de janeiro de 2025, com todas as despesas de hospedagem, logísticas e de transporte financiadas pelo banqueiro. Uma única refeição chegou a custar R$ 63 mil.