Empresas ligadas ao PCC receberam R$ 209 milhões do governo de Goiás

Investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta repasse de dinheiro pago pelo governo de Goiás a uma ONG para empresas vinculadas ao PCC

Por Petronio Viana

Caiado culpou o Coaf por não alertar sobre vínculo de empresas com o PCC

A Polícia Civil de São Paulo investiga o repasse de R$ 209 milhões do governo de Goiás a empresas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), por meio de uma ONG contratada para gerir hospitais no estado. De acordo com as investigações, o Instituto de Medicina e Estudos (Imed) recebeu R$ 1,4 bilhão para administrar 8 unidades de saúde entre 2019 e 2025, na gestão do pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD).

Entre os fornecedores da ONG estão as empresas de Thiago Telles Batista de Souza, conhecido como “Tom Cruise”, apontado como beneficiário de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC oriundo do tráfico de drogas, golpes e jogos ilegais. As informações são do portal Metrópoles.

As empresas TL2 Soluções em Saúde, L2D Telemedicina e Mediplus Serviços Médicos, pertencentes a Telles, recebiam dinheiro do Fundo Nacional de Saúde (FNS) repassado ao Governo de Goiás. Por sua vez, a gestão de Caiado usava a verba para pagar pelos serviços prestados pelo Imed, contratada por chamamento público.

Thiago Telles foi um dos alvos da operação Falso Mercúrio, deflagrada em dezembro e que teve desdobramentos na quinta-feira (28), com a operação Falsa Las Vegas. De acordo com as informações obtidas pela Polícia Civil de São Paulo, Telles comprou grandes somas de dinheiro em espécie de intermediários do PCC em períodos coincidentes com os pagamentos feitos pelo Imed. A operação impedia o rastreamento dos valores pelo Banco Central e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Defesa

Em nota, Ronaldo Caiado afirmou que o Coaf teria a responsabilidade de alertar o governo de Goiás sobre os vínculos entre o Imed e empresas ligadas ao PCC. “Se essas pessoas têm vínculo com o narcotráfico, isso deveria ter sido preventivamente informado ao governo do Estado, já que apenas o Coaf do governo federal tem acesso a dados do sistema financeiro que permitiriam a identificação e a ação preventiva”, afirmou o ex-governador.

O Imed disse não ter conhecimento das investigações sobre seus fornecedores e que as contratações “obedecem a processo de seleção pública, previsto em regulamento de compras aprovado pelos órgãos de controle”. “A relação do Imed com empresas fornecedoras de serviços médico-hospitalares, bem como com as pessoas mencionadas, sempre ocorreu estritamente no âmbito profissional”, sustentou a organização social.