Sóstenes ou Jordy: Bolsonaro decide quem entra no lugar de Castro

Pressionado por investigações e pela deterioração do cenário político, ex-governador do Rio desiste da candidatura ao Senado

Por Beatriz Matos

Ex-governador desistiu de tentar candidatura

A desistência do ex-governador do Rio de Janeiro Claudio Castro da disputa por uma vaga ao Senado provocou uma reviravolta no tabuleiro eleitoral fluminense e abriu uma nova disputa interna no Partido Liberal (PL). O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28), por meio de um vídeo divulgado pelo ex-governador, que afirmou precisar concentrar esforços na própria defesa diante das investigações que enfrenta.

A decisão ocorre após o agravamento da situação jurídica de Castro. Em menos de duas semanas, ele foi alvo de duas operações da Polícia Federal (PF). A primeira, em 15 de maio, ocorreu no âmbito da Operação Sem Refino, que apura supostas fraudes fiscais envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Já nesta semana, o ex-governador voltou a ser alvo da PF durante a oitava fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros relacionados ao Banco Master.

Nesta sexta

Com a saída de Castro, a vaga que seria destinada a ele passou a ser disputada principalmente por dois nomes do PL: o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante, e o deputado federal Carlos Jordy.

Apesar da movimentação dos dois parlamentares, a definição ainda não foi tomada. Segundo apurou o Correio da Manhã, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar, nesta sexta-feira (29), quando os dois devem discutir quem ficará com a vaga aberta pela desistência de Cláudio Castro. A expectativa dentro do partido é que a decisão passe pelo aval de Bolsonaro antes de ser oficializada.

Nesta quarta-feira (27), Sóstenes conversou por telefone com Flávio Bolsonaro, que ainda estava nos Estados Unidos (EUA). Ao Correio da Manhã, o líder do PL afirmou que está à disposição da legenda para disputar o cargo que o partido considerar mais adequado. “Sou candidato e estou à disposição do partido”, resumiu.

Apesar de reconhecer que tem maior identificação com o trabalho legislativo na Câmara dos Deputados, Sóstenes evitou declarar preferência sobre qual cargo pretende disputar em 2026.

Bastidores

Nas conversas internas do partido, contudo, o nome de Sóstenes ganhou força. O parlamentar afirmou que tanto Jair Bolsonaro quanto o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, demonstram preferência por vê-lo na disputa pelo Senado.

O deputado também revelou que, antes de qualquer definição, ainda pretende consultar o pastor de sua igreja. Outro fator que pesa na discussão é o segmento evangélico. Segundo o próprio Sóstenes, sua trajetória política lhe garantiu uma base consolidada nesse eleitorado, o que, na avaliação dele, o colocaria em posição mais favorável na comparação com Jordy.

A disputa, porém, está longe de uma definição. Integrantes do partido admitem que a decisão final dependerá de pesquisas, negociações locais e, principalmente, da estratégia que Bolsonaro pretende adotar no Rio de Janeiro.

Pressão

A desistência de Castro também acontece em meio a outros problemas políticos e judiciais. Na próxima terça-feira (2), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve analisar recursos apresentados pelo ex-governador em um processo que resultou em sua condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Ao anunciar sua saída da corrida eleitoral, Castro afirmou que a decisão foi tomada após conversas com familiares e aliados. Segundo ele, o objetivo é dedicar tempo integral à defesa e à família.