RJ repassou dinheiro ao Master em meio a contatos entre Flávio e Vorcaro

PF estabeleceu cronologia que situa investimentos no período das negociações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro sobre financiamento de filme

Por Petronio Viana

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A cronologia estabelecida pela Polícia Federal (PF) nos repasses bilionários feitos pelo governo do Rio de Janeiro ao Banco Master apontou que a maior parte dos investimentos ocorreu no mesmo período das negociações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o suposto financiamento do filme Dark Horse.

O ex-governador Cláudio Castro, aliado de Flávio Bolsonaro, e dirigentes do RioPrevidência foram alvos de uma operação da Polícia Federal (PF), nesta terça-feira (26), que investiga o descumprimento de exigências legais, ausência de argumentos técnicos e interferência política nos investimentos bilionários.

De acordo com a representação da PF considerada pelo ministro do STF André Mendonça na decisão que autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços de Castro, os últimos investimentos do governo do Rio no Banco Master, totalizando R$ 2 bilhões, aconteceram em outubro de 2025, em meio aos contatos entre o pré-candidato do PL à Presidência e o ex-controlador da instituição financeira.

“Segundo a representação, entre outubro de 2023 e julho de 2024, o RioPrevidência realizou aportes de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, em decorrência de entraves regulatórios que dificultaram a continuidade das aplicações naquela modalidade de investimento, foram realizados aportes em fundos estruturados pelo mesmo grupo, em montante que teria atingido R$ 2,01 bilhões”, afirma Mendonça, citando a representação da PF.

“Tudo em contexto de crescente dificuldade do banco, diante de aparente crise de liquidez, tornando essencial, no entender da autoridade policial, a captação de aplicações junto a RPPSs [Regimes Próprios de Previdência] e de substituição de instrumentos por novos produtos financeiros”, disse o ministro do STF.

Contato com Vorcaro

Após a revelação dos contatos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, o senador admitiu ter enviado um áudio ao banqueiro em novembro de 2025, na véspera da primeira prisão do empresário, cobrando R$ 134 milhões acordados entre os dois para o financiamento do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

O próprio Flávio Bolsonaro também afirmou que o encontro com Vorcaro, ainda em novembro, um dia após a libertação do empresário, teria servido para “colocar um ponto final” na questão do financiamento, cuja negociação vinha ocorrendo há meses, ou seja, no período em que aconteciam os investimentos do governo do Rio no Banco Master. O repasse de dinheiro para o filme, ainda de acordo com o senador, já estaria atrasado, causando problemas para a produção.

“No final de 2025, foi aquele áudio que todos ouviram em que eu peço uma luz para saber, uma palavra final, sobre o que é que vai acontecer, porque o filme já estava num grande risco de o filme ser encerrado, inclusive, seria uma grande catástrofe. E, no dia seguinte, ele foi preso”, disse o senador.

"Nesse momento é que nós vimos ali que deu uma virada de chave. Nós entendemos melhor que a situação era muito mais grave, e, em função disso, [...] eu estive com ele mais uma vez após esse evento, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico e não podia sair da cidade de São Paulo. Então, foi uma grande dificuldade, nesse momento, arrumar outros investidores que pudessem concluir esse filme”, afirmou Flávio Bolsonaro.