Após retirada de tumor, Lula inicia radioterapia preventiva

Ao Correio, dermatologista detalha características do tipo de câncer e prevenção

Por Gabriela Gallo

Radioterapia visa evitar retorno do tumor

Um mês depois de realizar um procedimento cirúrgico para retirar uma lesão do couro cabeludo (denominada carcinoma basocelular), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou o seu tratamento preventivo de radioterapia no couro cabeludo. A primeira das 15 sessões do tratamento ocorreu nesta segunda-feira (25) no Hospital Sírio-Libanês em Brasília. De acordo com o Palácio do Planalto, Lula realizará as sessões ao longo de três semanas. O tratamento preventivo não tem efeitos colaterais. Diante disso, ele consegue manter sua agenda de trabalho normalmente.

Ao Correio da Manhã, a médica dermatologista Andressa Vargas explicou que a radioterapia pós-cirurgia “pode ser indicada como tratamento complementar ou preventivo, mesmo quando a lesão foi retirada, para reduzir risco de recidiva”, que é o possível reaparecimento da doença no local. A medida é recomendada em “áreas delicadas, lesões de maior risco, margens próximas ou comprometidas ou quando se busca preservar tecido”.

Questionada pela reportagem, a dermatologista ainda destacou que, ainda que Lula tenha 80 anos (ele completa 81 anos em outubro), “a idade, isoladamente, não impede a radioterapia”.

“Em idosos, a avaliação considera estado geral, doenças associadas, fragilidade, localização da lesão e tolerância da pele. A radioterapia superficial costuma ser bem tolerada, mas pode causar vermelhidão, ardência, descamação, sensibilidade local e, raramente, feridas ou cicatrização mais lenta. No caso divulgado, a equipe informou que Lula manteria suas atividades habituais durante o tratamento”, detalhou a profissional de saúde para a reportagem.

Câncer

Tanto Lula quanto o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) foram diagnosticados com câncer de pele recentemente. O atual presidente da República foi diagnosticado com carcinoma basocelular após identificar ferida no couro cabeludo, e Bolsonaro foi diagnosticado com carcinoma de células escamosas in suti. De acordo com a dermatologista, ambos os casos tratam de “cânceres de pele não melanoma, geralmente associados à exposição solar crônica, mas têm comportamentos diferentes”.

Segundo a profissional, o tumor de Lula é considerado o tipo mais comum, ele costuma crescer lentamente e raramente dá metástases. “Já o carcinoma de células escamosas, relatado em Bolsonaro como lesões iniciais/in situ, tem maior potencial de invasão local e, em alguns casos, de metástase, especialmente quando ocorre em áreas de risco, tumores maiores, imunossuprimidos ou lesões profundas”, detalhou Andressa Vargas.

Na época que foi diagnosticado, em setembro do ano passado, Bolsonaro retirou oito lesões cutâneas, das quais duas deram positivo para o tumor. Após a remoção, foi recomendado apenas acompanhamento médico periódico.

Segundo a demartologista, os principais sinais de alerta para identificar um possível câncer de pele são “feridas que não cicatrizam, lesões que sangram ou formam casquinhas repetidamente, manchas ásperas ou descamativas, nódulos brilhantes, róseos ou avermelhados, lesões com crescimento progressivo e pintas que mudam de cor, tamanho, formato ou apresentam assimetria”.

Em casos de cânceres de pele melanoma, tipo mais raro e agressivo de câncer de pele, ela ainda destacou a regra do ABCDE: Assimetria, Bordas irregulares, Cores variadas, Diâmetro aumentado e Evolução.
A prevenção é a proteção contra os raios solares, com uso de protetor solar fator de proteção solar (FPS) 30 ou mais, reaplicando ao longo do dia, somado ao uso de chapéus, óculos e roupas com proteção UV, além de evitar câmaras de bronzeamento artificial e fazer autoexame da pele. “Pessoas com histórico pessoal ou familiar de câncer de pele, pele clara, muitas manchas, imunossupressão ou exposição solar intensa devem manter acompanhamento dermatológico regular”, reiterou Andressa.