Aldo dobra a aposta: "Sigo candidato"

Após troca por Joaquim Barbosa, DC ameaça ex-ministro de expulsão

Por Gabriela Gallo

Aldo reafirma sua candidatura, apesar da ameaça de expulsão do DC

O jornalista Aldo Rebelo, ex-deputado e ex-ministro, resolveu dobrar a aposta contra o presidente da Democracia Cristã (DC), o também ex-deputado João Caldas. Apesar da nota do partido comunicando o seu processo de expulsão, Aldo ignorou a pressão e informou que seguirá com sua pré-candidatura à Presidência da República até que aconteça a convenção partidária.

“Reafirmo a determinação de prosseguir na jornada de minha pré-candidatura até a convenção partidária, instância autorizada para decidir soberanamente a escolha de candidaturas do partido”, ele afirmou por meio de nota enviada ao Correio da Manhã. Procurado insistentemente, João Caldas não retornou as ligações.

No início da semana, João Caldas comunicou que estava trocando Aldo Rebelo pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa como candidato à Presidência. O próprio Joaquim Barbosa, porém, até agora não se manifestou. Aldo, então, afirmou que manteria sua candidatura mesmo que tivesse que recorrer à Justiça. João Caldas, então, comunicou que iria expulsá-lo da legenda.

As convenções partidárias estão programadas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto, segundo o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os partidos e federações têm até o dia 15 de agosto para registrarem as candidaturas de seus representantes na Justiça Eleitoral.

Expulsão

Nesta quinta-feira (21), a direção do Democracia Cristã abriu um processo disciplinar de expulsão de Aldo Rebelo do partido. A decisão ocorre dias após o partido divulgar uma nota, assinada pelo presidente do partido João Caldas, informando que o presentante da sigla na disputa ao Palácio do Planalto em outubro será Joaquim Barbosa, após Aldo não desempenhar grandes resultados nas pesquisas de intenção de voto.

Após a medida, Rebelo teceu críticas a João Caldas e disse que o presidente do DC optou por Barbosa por medo do avanço das investigações sobre o Banco Master em Alagoas. O partido criticou as falas de Aldo e publicou uma nota divulgando o processo de desligamento dele.

“Diante do esgotamento das diversas tentativas de resolução harmoniosa — frustradas pela reiterada intransigência do recém-filiado — e tendo em vista os gravíssimos fatos e provas apurados, que afrontam os valores, os princípios, os objetivos e o Estatuto do partido, a Direção Nacional do DC delibera pela abertura imediata de procedimento disciplinar contra o referido filiado. Tal medida resultará em sua expulsão sumária [modelo de processo judicial simplificado e mais rápido]”, escreveu a legenda.

Em resposta, Rebelo classificou a decisão como “exercício abusivo de direito, que deve ser rechaçado no âmbito da jurisdição caso se insista com a temerária iniciativa antidemocrática”.

“A nota da direção nacional da Democracia Cristã (DC) não atinge minha honra e a dignidade pública pela ausência de qualquer fato apontado que justifique a medida extrema contra minha filiação”, ele reiterou.

Na nota, Aldo ainda completou que a manifestação da sigla se trata de “incoerência com o princípio da livre manifestação de todo filiado; inaptidão em conviver com críticas e opiniões divergentes; violação das garantias constitucionais do devido processo legal, ao enfatizar a expulsão sumária, com atropelo à ampla defesa; premeditação do resultado do processo para a desfiliação partidária; quebra do princípio da imparcialidade, e transgressões às normas estatutárias do partido”.