Após cair seis pontos, Flávio reage a pesquisa
Senador aciona TSE contra levantamento Atlas/Bloomberg
Após a divulgação da nova pesquisa de intenção de votos da Atlas/Bloomberg, a coordenação jurídica do senador da República e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o levantamento.
Divulgada nesta terça-feira (19), a pesquisa Atlas/Bloomberg foi a primeira a medir a reação do eleitor à informação de que Flávio pediu a Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para financiar Dark Horse, a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. E a pesquisa apontou uma queda de seis pontos percentuais no desempenho do senador contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno.
A reação do grupo jurídico de Flávio foi acusar o instituto de elaborar o questionário “de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro”. Na pesquisa referente ao mês de maio, o Instituto questionou os entrevistados sobre os áudios e trocas de mensagens entre o senador e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre financiamento ao filme “Dark Horse”, longa-metragem biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a representação, “a sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados”. A equipe jurídica do candidato ainda defende que “o instrumento não apenas mediu a opinião dos eleitores, mas apresentou estímulos capazes de influenciar a percepção do entrevistado antes de perguntas sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral”.
A pesquisa questiona a opinião dos entrevistados sobre “qual grupo político está mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master?”. Dos 5.032 eleitores que participaram, 43,3% consideram que o grupo mais envolvido no esquema é “principalmente os aliados de Bolsonaro”, 32,8% consideram ser “principalmente os aliados de Lula, 16,1% acham que “todos estão igualmente implicados no esquema” e 7,1% acham que “principalmente o centrão”.
Além disso, 54,9% dos entrevistados acreditam que o vazamento das mensagens entre Flávio e Vorcaro realizadas pelo Intercept Brasil representam “evidências obtidas em uma investigação legítima sobre possíveis irregularidades”, 33% consideram que foi uma tentativa de prejudicá-lo politicamente e 9,7% acham que o vazamento das conversas teve as duas intenções.
Pesquisa
Na apresentação, porém, as pesquisas específicas sobre o caso Flávio/Master aparecem somente depois das perguntas eleitorais. Ou seja, o eleitor as respondeu antes de ser perguntado sobre o caso.
De acordo com a pesquisa, em um eventual segundo turno, Lula teria agora 48,9% das intenções de voto, e Flávio 41,8%. Na rodada anterior, havia um empate com ligeira vantagem para Flávio: 47,8% contra 47,3%. Uma queda de seis pontos percentuais no desempenho do senador e uma vantagem de Lula sobre ele de sete pontos percentuais.
O levantamento ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 a 18 de maio, por questionamentos online em dispositivos eletrônicos. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro de um ponto percentual.
Para além de Lula, Flávio Bolsonaro também sai atrás em um eventual segundo turno contra o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ou o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad. Em um cenário com Alckmin, o vice presidente tem 46,4% das intenções de voto e senador 42,3% dos votos e contra Haddad, o ex-ministro tem 46,7% de votos contra 43% para Flávio.
Tal como no cenário fictício de segundo turno, o primogênito do clã Bolsonaro também registrou queda de cinco pontos percentuais em um cenário de primeiro turno com os principais candidatos à presidência. No levantamento de abril, ele tinha 39,7% das intenções de voto e no levantamento de maio, 34,3% dos votos. As intenções de voto em Lula no primeiro turno permaneceram praticamente as mesmas, de 46,6% para 47% das intenções de voto em maio.
O crescimento dos demais presidenciáveis se referem ao empresário Renan Santos (Missão), terceiro colocado na pesquisa, com 6,9% das intenções de voto (antes, com 5,3% dos votos) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) que passou dos 3,1% das intenções de voto para 5,2% dos votos – ultrapassando o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 2,7% das intenções de voto. No caso de Zema, em um cenário fictício sem nenhum representante do clã Bolsonaro, ele acumula 17% das intenções de voto, ficando atrás apenas de Lula.
Além disso, a pesquisa também considerou um cenário com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) concorrendo à presidência no lugar de Flávio no primeiro turno. Nesse cenário, ela tem 23,4% das intenções de voto, na frente dos demais candidatos da oposição.