Caiado: "Crime organizado é terrorismo"
Em entrevista ao Correio da Manhã, candidato do PSD diz que classificará facções como organizações terroristas e usará Forças Armadas no combate
O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, não está nem um pouco preocupado com a possível classificação pelo governo dos Estados Unidos, de Donald Trump, das facções criminosas brasileiras virem a ser classificadas como terroristas. Com o estilo agressivo que o caracteriza desde que surgiu na política nos anos 1980 como líder da União Democrática Ruralista (UDR), Caiado diz que essa preocupação, vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seu governo é sinal de proximidade com o crime. “Lula sempre foi complacente com o narcotráfico”, dispara.
Para Caiado, não haveria o propalado risco de ameaça à soberania no caso da classificação do crime organizado como terrorismo. Nem uma interferência indevida dos EUA no Brasil caso fosse ele o presidente. Se você tem o Ronaldo Caiado presidente da República, isso não acontece”, afirma. “Mas eu não tenho nenhuma dificuldade em fazer parceria com outros países”.
Classificadas as facções como terroristas, Caiado, então, afirma que usará as Forças Armadas no combate ao crime. Não como forças policiais, mas no que fazem os exércitos: ocupação de território. Especialmente na Amazônia, hoje invadida pelo crime, e no controle das fronteiras.
Caiado e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, visitaram a Casa Correio da Manhã, em Brasília, na quarta-feira (13). Lá, foi concedida a entrevista. Leia abaixo os principais trechos:
“Facções como terroristas no primeiro dia”
“No meu primeiro dia de governo, vou encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei reconhecendo todas as facções do narcotráfico como terroristas. Isso dará ao presidente da República a prerrogativa de usar as Forças Armadas – Aeronáutica, Marinha e Exército – para que recuperem os territórios ocupados pelo crime”.
“50% Amazônia está tomada”
“Hoje, nós temos mais de 50% da Amazônia brasileira e mais de 50% dos municípios na Amazônia brasileira ocupados pelas facções. PCC, Comando Vermelho e também facções criminosas que vieram de outros países, como Colômbia, Venezuela e México. As Forças Armadas devolverão ao Brasil esses territórios que estão hoje sob o comando do Estado do Crime”.
Governo federal no comando”
“Com relação às outras áreas nos demais estados, eu governarei dando todo apoio aos governadores. Com a capacidade de inteligência, imagens de satélites, apoio do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) para identificar as ramificações financeiras e como esse dinheiro está sendo levado para contaminar outras estruturas da economia brasileira. Enfim, uma operação que mostra a presença do presidente da República lá no local com o governador e enfrentando esse problema, identificando os autores. Rapidamente, nós retornaremos esses territórios ao comando do cidadão”.
“Militar não será para subir em favela”
“Eu sou cirurgião, eu sei qual é a melhor técnica para cada cirurgia. Você não vai usar o militar naquilo que não é o habitat das Forças Armadas. Elas não foram formadas para prender pessoas, elas foram formadas para recuperar territórios invadidos”.
“Não se pode comparar Amazônia com o Borel”
“Você não pode comparar a Amazônia com o morro do Borel, com o morro do Alemão. Você tem que identificar cada uma das áreas que você vai atuar dentro das ferramentas que você tem em mãos. Então, provavelmente as Forças Armadas não atuarão nas favelas, dentro das cidades”.
“Nenhuma dificuldade em parcerias”
“É da Amazônia brasileira que parte o maior transporte de drogas para o mundo. É o grande pólo distribuidor. É verdade que vem também dos Estados Unidos boa parte das drogas químicas, anfetaminas. Eu não tenho nenhuma dificuldade em fazer parcerias com os demais presidentes. Como é que eu vou cuidar das fronteiras se eu não tiver parcerias? Só em fronteira seca, eu tenho dez países que delimitam com o Brasil. Eu farei parceria com todos eles. Com os americanos, com a União Europeia. Eu quero a maior número de informações possíveis”.
“Lula sempre foi complacente com o narcotráfico”
“Todos nós sabemos que Lula sempre foi complacente com o narcotráfico. Aí, só chegando a cinco meses da eleição e que ele propõe um plano de combate às facções criminosas, um plano totalmente fake. Porque ele propõe que os estados tomem um dinheiro emprestado do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para que os governadores façam o que é obrigação federal fazer. A Constituição prevê que tráfico de armas, narcotráfico e lavagem de dinheiro são crimes federais. Então, o governo do presidente Lula quer jogar no colo dos governadores uma responsabilidade que é dele”.
“Concessão de terras raras é do governo federal”
“Me acusam de ter permitido a venda de uma mina de terras raras no estado de Goiás. Eu trabalho com esse tema desde 2019. Quem dá a concessão da exploração mineral? Pela legislação brasileira é o governo federal. A Agência Nacional de Mineração. Então, eu não vendi nada. A tal empresa, embora tenha nome brasileiro, Serra Verde, é de dois fundos dos Estados Unidos e um da Inglaterra. Liberei tudo que fosse necessário para que ela começasse a trabalhar em 2019. Tudo o que ela explorou vendeu para a China. Em torno de US$ 70 a tonelada de terras raras pesadas. Sabe por quanto esse material retorna quando processado? US$ 1 mil o quilo! O que eu fiz? Eu fui ao Japão e fiz um memorando de entendimento com o país. Foi aos Estados Unidos e fiz também um memorando de entendimento. Eu fui buscar parceria para que nós desenvolvêssemos a tecnologia para separar o produto, para não vender mais o material bruto. Ou mais do que isso, para poder tê-lo aqui no Brasil na fase de bateria para motor fotovoltaico, para armas de precisão. Eu fui em busca da tecnologia japonesa e americana para desenvolver no solo goiano tecnologia.
“Não precisamos de um estreito de Ormuz”
“Nós estamos contratando uma empresa. Nós vamos fazer uma varredura no território goiano, até 400 metros de profundidade. Eu vou fazer um mapeamento de quais são os minérios que nós temos no estado de Goiás. Nós não precisamos de nenhum estreito de Ormuz, não precisamos fazer guerra com ninguém com os minérios que temos”.
“Lula só quer dividir miséria”
“No Brasil que eles querem construir, Lula só quer dividir miséria. É aumentando carga tributária no bolso do cidadão que já está todo endividado. Aí, vem e fala: ‘Eu vou dar o Desenrola. Mas vem cá, mão foi ele quem enrolou? Manda gastar, manda que acredite no governo. Aí, vem com 15% de juros em cima da pessoa e diz que vai desenrolar? Vai pegar o Fundo de Garantia da pessoa para dar para banco? Está é assaltando as pessoas”.
“Quando Lula ganhou, presídios fizeram festa”
“Foi a maior festa nos presídios quando Lula ganhou. Soltaram foguete, rojões. Você só comemora o que você ganha. As penitenciárias mostraram exatamente que essa relação existe. A euforia que ficou estampada”.
“Planalto quis Flávio como adversário”
“O Planalto quer transmitir essa sensação de que a polarização está definida e não vai mudar. Escolheram Flávio Bolsonaro como adversário. Então, veio o Kassab e disse: ‘Não vai ser assim, eu vou ter candidato à Presidência da República’. Eu tenho 15 dias de campanha. Na hora do debate, os brasileiros irão me conhecer”.
“Vou alforriar os brasileiros do PT”
“Eu vou alforriar os brasileiros do PT, do atraso, da corrupção, do narcotráfico, tudo isso”.
“Bolsonaro sobe a rampa com Caiado”?
“Eu vou subir a rampa, esse é um compromisso que eu tenho lá no meu estado de Goiás, com mais de dez mil crianças alunos do ensino fundamental e do ensino médio e do ensino profissionalizante. Eu vou dizer a eles: "Esse governo que estava aí, roubou o futuro de vocês. Eu vou devolver o futuro a vocês”.
“Não querem sair da polarização”
“Nós não podemos continuar numa campanha onde a polarização seja o fato determinante do debate. Porque é isso que eles querem. Ninguém está discutindo a segurança da pessoa, ninguém está discutindo se o filho está estudando, ninguém está discutindo a a logística no Brasil. Tem três anos e três meses que só se discute o 8 de janeiro”.