Defesa de Vorcaro entrega pedido de delação
Material, entregue em um pendrive, deve levar duas semanas para ser analisado
A defesa do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, entregou para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e para a Polícia Federal (PF) os documentos necessários para firmar o acordo de delação premiada entre o banqueiro e as autoridades. Os documentos foram entregues nesta quarta-feira (6) e devem ser analisados nas próximas semanas. A defesa anexou todo o material em um pendrive e o entregou para as autoridades.
O caso corre em sigilo. A expectativa é que todo conteúdo dentro do pendrive deve levar ao menos dois meses para ser completamente analisado.
Caso a PGR homologue o pedido de delação premiada, caberá ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que é o relator o caso Master, definir se acatará o acordo ou não. Nos bastidores, estima-se que uma das condições do Supremo para que a colaboração seja homologada é a devolução integral e imediata do dinheiro desviado por meio de corrupção.
Estima-se que o conteúdo no pendrive contenha registros, conversas, documentos em reuniões, festas e até viagens com autoridades da política brasileira como provas. A expectativa é que, se firmada a colaboração, Vorcaro exponha políticos e magistrados brasileiros que tiveram algum tipo de relação com os desvios de recursos bilionários envolvendo o Master.
BRB
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, que foi preso no último mês acusado de aceitar receber pagamento de propina em imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões para garantir que o BRB comprasse o Master, também articula fechar um acordo de delação premiada.
Dentre as autoridades citadas previamente pelas investigações da polícia que supostamente possam ter envolvimento no caso estão: o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-presidente do Banco Central (BC) Roberto Campos Neto, o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), além dos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Toffoli chegou a ser escolhido como o ministro-relator do caso no Supremo, mas após passar a ser relacionado na teia de envolvidos do caso, se declarou impedido de prosseguir com a relatoria do caso no STF e André Mendonça foi sorteado para assumir no lugar dele. Desde então, Toffoli não julga nada que envolva o caso Master.
Entenda
Vorcaro está preso desde 4 de março deste ano, quando foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes do banco Master, além da articulação para que o Banco de Brasília (BRB) comprasse o Master. Atualmente ele está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, após transferências de segurança.
Ele chegou a ser preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, quando se iniciaram as investigações do caso Master, mas foi solto pouco tempo depois por determinação do TRF-1 (Tribunal Regional Federal) para cumpriu medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, até ele ser preso novamente.
Desde que foi preso definitivamente, os advogados de defesa do banqueiro já vinham articulando uma proposta de delação premiada e encaminharam o pedido de colaboração à PF e à PGR em abril, mas a medida foi rejeitada por ser sido considerada insuficiente diante do volume de conteúdo envolvendo a fraude bilionária do Master. Portanto, o conteúdo entregue nesta semana está mais completo.