Brasileiro defende a proibição das apostas bets

Pesquia Meio/Ideia mostra o peso do jogo na vida e no endividamento das pessoas, e como isso deve impactar o debate eleitoral

Por Rudolfo Lago

39% dos apostadores querem ganhar dinheiro rápido

No mês passado, 30% dos homens brasileiros apostaram em bets. E 22% das mulheres. O dado é altamente significativo, e explica por que o vício nesse tipo de jogo tornou-se o maior fator de endividamento das famílias brasileiras. Os dados constam de pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta terça-feira (6).

A pesquisa detalha, em uma série de perguntas, o peso que as apostas bets têm na vida da sociedade brasileira. Mas mostra também o quanto essa mesma sociedade está preocupada com o problema. E aponta que, mesmo com o alto percentual de apostas, a maior parte dos brasileiros apoiaria uma decisão que proibisse no Brasil esse tipo de aposta esportiva. De acordo com a pesquisa, 44% dos entrevistados são favoráveis à proibição das bets. Um percentual maior, 59%, concordam que essa modalidade de jogo provoca endividamento. E um número ainda mais alto, 61,9%, sabem que as bets viciam.

“Esse passa a ser, assim, um tema central das eleições presidenciais”, considera o Fundador do Instituto Ideia, Maurício Moura. Em abril, numa entrevista ao portal ICL, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a defender a proibição das bets, ao constatar que as apostas são hoje o maior fator de endividamento do brasileiro. E o endividamento tornou-se o maior calo de Lula na sua tentativa de reeleição. Não houve, porém, nenhuma iniciativa do governo nesse sentido.

Desenrola

A nova proposta do governo, no entanto, de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0, determinou que todo aquele que aderir ao programa ficará proibido de apostar em bets. Ao aderir ao programa, o CPF da pessoa fica bloqueado e impedido de entrar em casas de apostas.

A pesquisa traz outros dados sobre o vício nas apostas. As faixas mais ativas são aquelas que estão entre 25 e 34 anos e entre 45 e 59 anos. Avançam para fora das portas das pessoas: 34% dos adultos entre 25 e 34 anos sabem que um familiar apostou recentemente. E 31% desconfiam que os parentes jogam escondido.

Embora haja certa diluição por faixa de renda, agrava a situação o fato de o maior percentual de apostadores estar nas camadas de renda mais baixa. São 25,8% dos que ganham até um salário mínimo, 26,6% dos que ganham entre um e três salários mínimos, 25,7% dos que ganham entre três e cinco salários mínimos. A partir daí, o percentual diminui para 16,7%.

Custo de vida

A percepção do endividamento está diretamente relacionada à percepção de que o custo de vida aumentou. Para 30,7%, aumentou muito. Para 35,3%, aumentou mas não muito. Então, 44,3% consideram que o endividamento ficou maior do que no ano passado.

E 41,9% consideram, então, que custo de vida e dívidas serão pontos importantes na definição do seu voto para presidente da República em outubro. Impressiona como esse dado cresceu com relação à rodada anterior da pesquisa em abril, quando o percentual que considerava os dois temas importantes era de 38%.

6x1

A pesquisa, porém, traz um alento para o governo. Uma grande maioria dos entrevistados declara-se a favor do fim da escala de trabalho 6x1, uma das principais bandeiras de Lula.

Declaram-se a favor do regime no qual a pessoa trabalha seis dias na semana e folga somente um 73,7% dos entrevistados. E 46% declaram que o fim da escala 6x1 melhoraria a sua avaliação do governo.