Após Messias, Pacheco não deve ser candidato em Minas

Alternativa governista pode ser ex-prefeito de BH Alexandre Kalil

Por Da Redação

Lula quer Pacheco, mas situação ficou mais difícil

O presidente do PT, Edinho Silva, disse a correligionários nesta terça-feira (5) que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) não deve concorrer ao governo de Minas Gerais. Ele era o nome favorito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para encabeçar uma chapa na eleição estadual e apoiá-lo na disputa por um novo mandato à frente do Palácio do Planalto.

Edinho falou sobre o assunto com correligionários em reunião do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT. O órgão partidário se reúne semanalmente para discutir as alianças para a disputa deste ano.

Pacheco em momento algum fez um movimento decisivo para se candidatar, o que já vinha incomodando petistas. Além disso, setores do PT avaliam que ele ajudou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na articulação que levou à rejeição do indicado de Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias.

O presidente da República, porém, havia indicado a aliados que ainda queria insistir na aliança. Edinho ainda deve tentar conversar com o senador sobre o assunto.

Kalil

A cúpula do PT também decidiu procurar o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) para discutir uma aliança com Lula em Minas Gerais. Kalil é pré-candidato ao governo do estado, e o PDT busca apoio petista para a eleição mineira.

A aliança em Minas Gerais é um dos principais problemas da candidatura de reeleição de Lula. O estado é o segundo com mais eleitores no país. O petista precisa de aliados fortes no local para dar volume à sua campanha.

A montagem de um palanque para Lula em Minas Gerais foi um dos assuntos do jantar que o PT promoveu em Brasília nesta segunda-feira (4) para arrecadar fundos. O presidente da República não participou do evento.

Quando as suspeitas sobre a lealdade de Pacheco foram levadas a Lula, em reunião no Palácio da Alvorada após a derrota de Messias, o petista respondeu que ele continua sendo o candidato do grupo e que a votação no Senado não tinha relação com a campanha eleitoral. Há dúvidas, porém, sobre a disposição da base do PT com a candidatura de Pacheco diante do desgaste causado pela rejeição de Messias.

Aliados de Pacheco veem como injusta a suspeita de que ele tenha atuado contra o governo e dizem que, pelo contrário, ele ajudou Messias. Segundo esses relatos, foi o senador quem levou o advogado-geral da União para o evento na casa do ministro do STF Cristiano Zanin em que ele teve a oportunidade de conversar informalmente com Alcolumbre.

A interlocutores, Pacheco afirma que mantém a disposição de concorrer em Minas, desde que sua candidatura demonstre viabilidade política e eleitoral. Mas a derrota de Messias pode abalar o processo, já que tentativas de constrangimento por parte do PT fariam o senador desistir, de acordo com seu entorno.

Catia Seabra (Folhapress)