Pelo segundo ano seguido, Lula não participa de atos pelo 1º de maio

Em comunicado, presidente defendeu o fim da escala 6x1 e detalhou sobre o novo Desenrola

Por Gabriela Gallo

Manifestação em Brasília no Primeiro de Maio

Pelo segundo ano consecutivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não compareceu a manifestações sindicais no país pelo Dia do Trabalhador (1º de maio). Em vez disso, optou por realizar um pronunciamento público para rádio e TV na noite de quinta-feira (30), véspera do feriado. No pronunciamento, o presidente defendeu o fim a jornada de trabalho em escala 6X1 e fez uma crítica direta àqueles que são contra a redução.

“A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte. Porque toda vez que a vida do trabalhador melhora, a roda da economia gira com mais força e todo mundo acaba ganhando. É isso que vai acontecer com o fim a da escala 6X1 no Brasil”, defendeu Lula em pronunciamento para rádio e TV.

6x1

Além de ser a principal bandeira do governo atualmente, o fim da jornada de trabalho da escala 6X1 (quando o empregado trabalha seis dias da semana e descansa somente um) sem redução salarial foi o principal tema de grande parte das manifestações no país no dia 1º.

Para além da pauta governista, também ocorreu uma manifestação da oposição na Avenida Paulista, em São Paulo. O ato foi organizado pelo grupo “Patriotas do QG” a manifestação teve como lema “Flávio presidente, Bolsonaro livre e Supremo é o povo”. Contudo, como não havia nenhuma liderança do primeiro escalão conservador ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro no trio elétrico, o ato estava esvaziado.

Como o ato da oposição ocorreu na Avenida Paulista, um dos principais locais para manifestações de larga escala, as manifestações sindicais, tradicionalmente as principais entidades que protagonizam atos no dia do trabalho, se espalharam pelo estado e realizaram atos descentralizados.

Desenrola

Nesta segunda-feira (4) será lançado oficialmente o Novo Desenrola Brasil. A informação também foi divulgada pelo presidente Lula durante a transmissão na quinta-feira.

Será possível renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito especial, rotativo e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), um empréstimo que o governo federal concede para alunos realizarem um curso superior em instituições particulares e pagarem 100% do valor após a formatura. Os juros serão reduzidos para até 1,99%, com descontos de 30% a até 90% do valor da dívida. Além disso, também será possível até 20% do valor do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para abater as dívidas.

"Assim, você vai ter uma parcela bem menor e mais tempo para pagar sua dívida", afirmou o presidente da República.

A novidade é que, quem aderir ao Novo Desenrola, está proibido de participar de apostas online (Bets). Ao se cadastrar no programa, a pessoa terá seus dados bloqueados de todos os sites e programas de plataformas online por um ano.

Eventos

O Dia Internacional do Trabalho é uma data que celebra os trabalhadores de todas as áreas. Apesar da força sindical e da história de luta de direitos para os trabalhadores estar associada aos profissionais que atuam em fábricas, alguns profissionais que atuam em áreas que atuam com o público podem ser esquecidos, como os setores de turismo e eventos que passaram por forte impacto durante a pandemia da Covid-19.

Ao Correio da Manhã, a CEO da Ambrósio Assessoria de Eventos (empresa especializada em casamentos e eventos exclusivos) Ester Ambrósio detalhou como os trabalhadores do setor foram impactados e tiveram que se reerguer em um segmento que exige pessoas reunidas.

“O setor foi profundamente impactado e a retomada exigiu mais do que resiliência, exigiu reposicionamento. Foram anos de reconstrução, onde apenas quem elevou o nível de entrega conseguiu se manter relevante. O maior desafio foi lidar com a incerteza: cancelamentos, adiamentos e a instabilidade emocional dos clientes. Tivemos que unir gestão estratégica com sensibilidade humana em um nível muito mais elevado”, afirmou Ester.

Questionada pela reportagem, a CEO destacou que o setor de eventos conseguiu se reerguer com o fim das exigências do isolamento social, mas foi necessário que os profissionais da área se reinventassem. “Nos reinventamos através da personalização extrema, protocolos rigorosos e uma comunicação ainda mais próxima. Transformamos imprevistos em experiências seguras e memoráveis. Hoje, o mercado está aquecido e mais exigente. O cliente busca excelência, exclusividade e segurança. E isso posiciona o setor em um momento altamente promissor para quem entrega alto padrão de verdade”, ela completou.