Ministro reage a Quaquá sobre 6x1: "A CLT não acabou"

Para Paulo Pereira, fim do modelo de trabalho fará trabalhador consumir mais e alavancará economia

Por Rudolfo Lago

Paulo Pereira: CLT ainda rege trabalho da maioria das pessoas

O novo ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, rebateu as declarações do prefeito de Maricá e um dos vice-presidentes do PT, Washington Quaquá, feitas com exclusividade ao Correio Bastidores, de Fernando Molica, criticando a defesa do fim da jornada de trabalho 6x1, aquela na qual o trabalhador trabalha seis dias por semana e descansa apenas um. Quaquá disse que o discurso do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa do fim da jornada seria “demagogia” e não teria qualquer importância econômica nem “impacto no desenvolvimento nacional”. Para Quaquá, o governo deveria ter foco nas novas relações de trabalho.

“Quaquá um quadro importante da política fluminense e todo debate é bem-vindo. Mas o ponto de partida da sua argumentação, nesse caso, não para em pé”, rebateu o ministro. “É verdade que as formas de trabalho mudaram e essas mudanças não podem ser ignoradas. Mas a CLT ainda existe e regula as relações de trabalho da grande maioria dos brasileiros”, continuou Paulo Pereira, referindo-se à Consolidação das Leis de Trabalho, a legislação que regula os modelos formais de contratação.

Paulo Pereira deu as declarações no programa Bom Dia, Ministro, veiculado nesta terça-feira (28) pela Empresa Brasil de Comunicação. O Correio da Manhã participou do programa e foi o responsável pela pergunta que confrontou o ministro ao prefeito de Maricá.

Base da pirâmide

O fim da jornada 6x1 tramita no Congresso a partir de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) e um projeto de lei do poder Executivo.

Segundo Paulo Pereira, a mudança é especialmente importante porque alcançaria principalmente a “base da pirâmide”, as camadas mais pobres da população. “E o prefeito Quaquá é especialmente preocupado com a situação social das pessoas”.

“Esses trabalhadores moram mais longe e dedicam mais tempo das suas vidas ao trabalho, e menos à família”, disse o ministro. “As pesquisas mostram que a grande maioria dos brasileiros é a favor da mudança”, observa Paulo Pereira, o que indicaria, ao contrário do que disse Quaquá, que o assunto tem impacto importante na sociedade. “O debate é bom. Quaquá fez uma pontuação importante. Mas esse medo da mudança houve até quando acabou a escravidão, e economia brasileira avançou”.

Economia

Paulo Pereira acredita que a mudança ainda trará impactos positivos para a economia. “Os trabalhadores terão mais tempo para consumir. Terão mais tempo, caso queiram, para empreender ao mesmo tempo”, afirma. “Não tenho dúvidas que a mudança será benéfica e bem absorvida”.

Veja a seguir o vídeo com a pergunta do Correio da Manhã e a resposta do ministro:

O Correio da Manhã ainda perguntou ao ministro se haveria, na sua avaliação, a necessidade de se discutir eventuais compensações às empresas por um eventual aumento no custo do trabalho. Essa posição tem sido defendida pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).

“De uma forma geral, creio que não haverá essa necessidade”, respondeu Paulo Pereira. “Pode haver, porém, em algumas situações específicas”, ponderou. No caso, para o ministro, para pequenos empresários, que têm somente um ou dois funcionários. “Aí, podemos discutir compensações pontuais”, concluiu.