Depois de estagnação de Lula, Flávio também para de subir
Resultado presidencial dependerá de indecisos, aponta analista ao Correio
A Pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (27), aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta uma vantagem não muito extensa em relação a seus demais adversários no primeiro turno, mas enfrenta empate técnico com seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Contudo, apesar de os dados não apresentarem grandes diferenças em relação a outras pesquisas, eles apontam para uma novidade: se levantamentos anteriores apontavam estagnação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agora a BTG/Nexus indica que Flávio Bolsonaro também parou de subir. A pesquisa entrevistou 2.028 eleitores, por telefone, entre os dias 24 e 26 de abril, e margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Em um cenário fictício de primeiro turno entre Lula, Flávio e os ex-governadores de Goiás e Minas Gerais Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), Lula tem 41% das intenções de voto, Flávio tem 36%, Zema 4% e Caiado 3%. Em outro cenário fictício de primeiro turno, dessa vez sem Zema, o petista segue com 41% das intenções de voto, mas as intenções de voto para o primogênito do clã Bolsonaro sobem um pouco (38%) e o Caiado conta com 6% das intenções de votos.
Já em eventuais cenários de segundo turno, a disputa segue mais acirrada. Em um eventual segundo turno com Flávio Bolsonaro, Lula teria 46% das intenções de votos e Flávio Bolsonaro 45%, empate técnico.
Indecisos
A novidade no levantamento deste mês é que Flávio Bolsonaro, que vinha registrando um constante crescimento de popularidade e intenção de votos nas últimas pesquisas, aparenta ter estagnado com seu eleitorado. Apesar de ser dentro da margem de erro, a pesquisa mostra uma queda de um ponto percentual de Flávio na simulação de segundo turno: tinha 46%, agora tem 45%.
Ao questionarem os eleitores sobre ‘Quem deveria ser eleito Presidente do Brasil nas eleições de 2026?”, sem nomes dos presidenciáveis, 37% dos entrevistados alegaram que que deveria ser Flávio Bolsonaro “ou algum outro candidato indicado por Jair Bolsonaro (outro membro da família)” e 37% manifestou que deveria ser o presidente Lula. Os dados são os mesmos ao levantamento de março.
Contudo, para além de Lula e Flávio, no levantamento de abril, 18% dos entrevistados disseram que o presidente eleito deveria ser “um candidato que não fosse apoiado nem por Lula nem por Jair Bolsonaro”, com um aumento de sete pontos percentuais em comparação a março (11%).
Ao Correio da Manhã, o consultor de Análise Política da BMJ Consultores Associados Érico Oyama reiterou que a ascensão recente de Flávio Bolsonaro foi motivada “pelo fato de ele ter sido consolidado como pré-candidato representante do ex-presidente Jair Bolsonaro”, especialmente após a confirmação de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) não disputarão o cargo.
“É natural que o crescimento nas intenções de votos tenha cessado, pois os resultados indicam que Flávio está perto de atingir o teto dos votos da direita”, avaliou Oyama.
Na mesma linha, o analista político reiterou que, tal como nas eleições de 2018 e 2022, “o grupo decisivo será daqueles que não possuem votos cristalizados por um viés ideológico”.
“Esses eleitores costumam decidir voto às vésperas das eleições e levam em consideração os insumos apresentados ao longo da campanha e, por isso, neste momento não é possível prever a tendência de escolha dos indecisos. O governo tem em mãos a possibilidade de adotar medidas para tentar alavancar a candidatura de Lula, incluindo medidas provisórias que possuem vigência imediata. Por sua vez, Flávio ganhará mais visibilidade com o início oficial da campanha, em agosto, e pode contar com apoios mais consolidados de importantes cabos eleitorais, como o governador de São Paulo, que até o momento teve atuação tímida em prol da candidatura do senador”, completou.