Desenrola 2.0 ataca o calo de Lula: o endividamento do brasileiro
Programa mira dívidas mais caras e prevê descontos amplos, com participação direta dos bancos
De olho no alto nível de endividamento das famílias brasileiras, o governo federal concluiu a modelagem do Desenrola 2.0 e deve apresentar, nesta terça-feira (28), o plano ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A proposta foi fechada após uma rodada de negociações com representantes dos principais bancos do país, em São Paulo, e tem como objetivo atacar diretamente as dívidas consideradas mais pesadas no orçamento doméstico, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que houve consenso entre governo e instituições financeiras sobre os principais pontos do programa.
“Estamos hoje concluindo as conversas com as instituições financeiras para entregar ao presidente essa semana o programa de renegociação das dívidas das famílias brasileiras”, disse. Segundo ele, os ajustes finais foram definidos após análise técnica e diálogo com o setor bancário, e agora dependem do aval do presidente para o anúncio oficial.
Negociação
A proposta prevê descontos amplos nas dívidas e a oferta de novas condições de pagamento, com juros mais baixos. De acordo com o ministro, a ideia é romper o ciclo de crescimento acelerado das dívidas, especialmente em linhas de crédito com taxas que chegam a variar entre 6% e 10% ao mês. “Com um desconto amplo, a gente vai chegar a descontos de até 90% nesse programa”, afirmou.
Além da redução do valor devido, o Desenrola 2.0 também deve permitir a renegociação com prazos e taxas mais adequadas à realidade das famílias. A lógica é simples: reduzir o estoque da dívida e, a partir disso, oferecer um novo financiamento mais acessível, criando condições reais de quitação.
Durigan destacou ainda que o programa terá caráter excepcional. “Não se trata de um Refis recorrente. As pessoas não devem contar com esse tipo de medida de forma permanente”, disse, ao reforçar que o objetivo é enfrentar um problema específico do momento econômico.
FGTS e alcance
Um dos pontos confirmados é a possibilidade de uso do FGTS para abater dívidas, com limitações. O saque será restrito a um percentual e vinculado diretamente à quitação dos débitos dentro do programa. “A limitação que vai ter para garantia do próprio fundo é um percentual do saque”, explicou o ministro, afastando a ideia de uso irrestrito dos recursos.
O programa também contará com aporte do Fundo Garantidor de Operações (FGO), o que deve ampliar a capacidade de renegociação e dar segurança às instituições financeiras. A expectativa do governo é alcançar dezenas de milhões de brasileiros, repetindo e ampliando o alcance da primeira versão do Desenrola, a versão 1.0.
A intenção é que o anúncio oficial ocorra ainda nesta semana, antes do feriado de 1° de Maio, do Dia do Trabalhador, e que o programa entre em operação logo em seguida.