Segue impasse institucional no Rio

STF precisa destravar como será eleição para mandato-tampão

Por Beatriz Matos

Após Toffoli se declarar suspeito, ação ficou para Zanin

A crise política no Rio de Janeiro (RJ) entra em uma nova fase nesta semana, com potencial de redefinir o rumo do estado. A publicação do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), recolocam no centro do debate não apenas quem governa, mas como e quando os eleitores voltarão às urnas.

No momento, o comando segue com o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto. Isso porque Zanin decidiu manter a estrutura atual até que o Supremo conclua o julgamento sobre o modelo de eleição. Na decisão, o ministro foi direto ao afirmar que deve ser preservado o arranjo já fixado pela Corte. “Até o final julgamento desta reclamação seja mantido o Presidente do Tribunal de Justiça [...] no exercício do cargo de Governador do Estado”.

Decisão

A manifestação de Zanin responde à tentativa do presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL), de assumir o governo com base na linha sucessória após sua eleição para o comando da Casa. O ministro, no entanto, afastou essa possibilidade neste momento e reforçou que o ponto central ainda não é a sucessão imediata, mas o próprio formato da eleição que deverá ocorrer.

Ao analisar o caso, Zanin também destacou que o debate não envolve a validade da eleição na Alerj, mas sim o desfecho institucional após a dupla vacância. Segundo ele, a discussão gira em torno da realização de novas eleições e da interpretação do artigo 224 do Código Eleitoral, já validado pelo próprio STF em precedente anterior.

Acórdão

A publicação do acórdão do TSE, por sua vez, adiciona um novo elemento de pressão sobre o Supremo. O documento consolida a decisão que declarou a inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro (PL) e reconheceu irregularidades graves no uso da máquina pública.

Entre os pontos destacados, o tribunal identificou um “método estruturado de promoção pessoal custeado pelo erário”, com contratações em massa, ausência de controle e uso de programas sociais com finalidade eleitoral.

O TSE também determinou a realização de novas eleições para o governo do estado, mas sem especificar se o pleito deve ser direto ou indireto — justamente a lacuna que travou o julgamento no STF.

Impasse

É nesse ponto que o processo entra em sua fase mais sensível. O julgamento no Supremo foi interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que aguardava a publicação do acórdão para esclarecer dúvidas sobre a decisão eleitoral.

Com o documento agora disponível, a expectativa é de que o caso volte à pauta nesta semana. A Corte terá que decidir dois pontos centrais: o modelo da eleição — direta ou indireta — e o desenho do calendário, considerando a proximidade do pleito regular de outubro.

Nos bastidores, a avaliação é de que o impasse vai além da disputa jurídica. A definição impacta diretamente o equilíbrio político no estado e o controle da máquina pública nos próximos meses. Enquanto isso, o Rio segue sob gestão provisória e com um cenário ainda aberto.