Vai e vem na agenda remarca sabatina de Messias
Temor de quórum tinha levado sessão para o dia 28; nova avaliação interna levou à retomada da data original.
A definição da data para a sabatina de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal virou um retrato do próprio processo de articulação política em torno do nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Depois de idas e vindas, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado bateu o martelo: o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) será ouvido na próxima quarta-feira (29), às 9h.
Inicialmente prevista para o dia 29, a sabatina chegou a ser antecipada para o dia 28, diante do receio de esvaziamento do Senado por causa da proximidade com o feriado de 1º de maio. A mudança, no entanto, não se sustentou. Nos bastidores, a avaliação evoluiu e o cenário passou a indicar maior segurança para a aprovação do nome. Com isso, a data original foi retomada.
A confirmação partiu do presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), que afirmou ter formalizado a decisão após reuniões recentes com o próprio indicado. Segundo ele, a comissão já foi comunicada oficialmente. O gesto também sinaliza que o ambiente político, antes mais incerto, se estabilizou o suficiente para levar o processo adiante.
A leitura do relatório favorável à indicação, feita pelo senador Weverton (PDT-MA), já havia pavimentado o caminho. No documento, o relator destacou o peso institucional da escolha e o papel do Supremo diante do momento político do país, reforçando a responsabilidade da comissão na análise.
Bastidores
A construção dessa candidatura, no entanto, não foi simples. Desde o ano passado, quando o nome de Messias disputava espaço com outras alternativas, como a do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), o processo foi marcado por negociações intensas. A indicação formal só veio em novembro de 2025, após meses de articulação.
Mesmo depois disso, houve entraves. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), chegou a adiar o andamento sob o argumento de que a mensagem oficial do governo ainda não havia sido enviada, embora nos bastidores a preferência por outro nome fosse evidente.
Agora, o cenário é outro. O termômetro político indica que Messias entra na sabatina com vantagem. A avaliação dentro do governo é de que ele já reúne quase 52 votos favoráveis, acima dos 41 necessários para aprovação no plenário. O voto é secreto, mas o clima entre senadores é considerado positivo.
Com currículo consolidado e trânsito entre diferentes correntes políticas, o AGU chega ao momento decisivo após meses pela busca por apoio.