Na Europa, Lula firma acordos energéticos

Na Alemanha, Espanha e Portugal, brasileiro fez críticas aos conflitos no Oriente Médio

Por Gabriela Gallo

Lula defendeu o acordo da União Europeia com o Mercosul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está de volta após uma semana em agenda internacional pela Europa, onde passou pela Espanha, Portugal e Alemanha. Dentre os destaques das articulações do chefe de Estado brasileiro está a estratégia para o acordo Mercosul com a União Europeia (UE) e críticas contra a guerra no Oriente Médio, tal como a defesa do multilateralismo.

Acordos

O principal acordo citado entre os países é o acordo comercial Mercosul-UE, que entrará em vigor dia 1º de maio. Na segunda-feira (20), em entrevista à imprensa alemã, o presidente brasileiro defendeu que o acordo é vantajoso para todas as partes. “A entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, no dia 1º de maio, abre espaço para uma parceria abrangente, que vai muito além do livre comércio. Estamos falando de um modelo de cooperação que valoriza e protege os trabalhadores, os direitos humanos e o meio ambiente”, ele destacou, acompanhado do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz.

“Depois de 25 anos de negociações, nossas regiões disseram sim à integração para criar uma zona de livre comércio que reúne 720 milhões de pessoas e que soma um PIB [Produto Interno Bruto] de 22 trilhões de dólares”, reiterou Lula.

Ainda nesta segunda-feira, o Brasil e a Alemanha assinaram uma declaração conjunta que visa ampliar a cooperação científica e tecnológica na área de minerais críticos e estratégicos, essenciais para a transição energética e o desenvolvimento de tecnologias emergentes. A proposta é expandir pesquisa, desenvolvimento e inovação nas áreas de exploração, extração e processamento de minerais críticos, como as terras raras.

“Queremos atrair cadeias de processamento para o território brasileiro, sem fazer exportações excludentes. A colaboração em setores intensivos em tecnologia é uma prioridade para um país que não quer se limitar a ser um mero exportador de commodities”, disse o brasileiro.

As nações ainda firmaram acordos de cooperação para fortalecer o combate a crimes ambientais, como desmatamento, tráfico de fauna e flora e mineração ilegal. A Alemanha, por exemplo, se comprometeu a ampliar o aporte de recursos ao Fundo de Combate às Mudanças Climáticas, fundo coordenado pelo governo brasileiro e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS).

Guerra

Ao longo dos eventos em que participou, o presidente brasileiro enfatizou duras críticas aos atuais conflitos globais. Durante sua participação na 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, em Barcelona, na Espanha, Lula criticou a guerra entre Estados Unidos (EUA) e Irã, reiterando que o mundo inteiro, especialmente a população mais pobre, termina pagando o preço de conflitos globais. “O [Donald] Trump [presidente dos EUA] invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, o milho no México, aumenta a gasolina em outro país. É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?”, questionou Lula durante evento no sábado (18).

O mandatário brasileiro ainda completou que o mundo “não precisa de mais guerras”. “Temos mais de 760 milhões de pessoas passando fome, temos milhões de pessoas analfabetas, tivemos milhões de pessoas que morreram porque não tinha vacina contra a Covid-19”, ele reiterou.

Dias depois, em Hannover, na Alemanha, Lula voltou a criticar os conflitos armados e as ameaças dos Estados Unidos contra Cuba. “Entre a ação dos que provocam guerra e a omissão dos que preferem se calar, a ONU está mais uma vez paralisada. Brasil e Alemanha defendem há décadas uma reforma que recupere a legitimidade do Conselho de Segurança”, pontuou o brasileiro.