Na reta final, Guimarães busca votos para Messias
Sabatina está marcada para próxima terça-feira; Ministro enfatizou diálogo com senadores
Ao assumir a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, o ex-deputado federal e agora ministro José Guimarães herdou desafios para tentar articular antes do início da campanha eleitoral. Dentre eles, está reforçar as negociações e articulações para que o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, seja o novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado está agendada para próxima terça-feira (28) e, se aprovado, seguirá para o plenário da Casa. Desde outubro de 2025, quando o ex-ministro da Suprema Corte Luis Roberto Barroso anunciou sua aposentadoria antecipada do Tribunal, o STF vem atuando com dez ministros, um a menos.
Apesar dos documentos oficializando a indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o cargo terem chegado ao Senado no começo do mês, o presidenta já tinha confirmado que indicaria Jorge Messias em novembro do ano passado, mais de cinco meses antes da sabatina do candidato. Na época, o processo foi interrompida por falta de acordo entre o governo e o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que preferia que o nome indicado para assumir a vaga no Supremo fosse o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Para além de Alcolumbre, o nome de Jorge Messias enfrenta resistência de parlamentares da oposição por considerarem a indicação dele como uma “indicação política e ideológica” de Lula para a Suprema Corte, como foram consideradas as indicações de Cristiano Zanin e Flávio Dino. Para assumir a cadeira que falta no STF, o advogado-geral da União precisa de ao menos 14 votos favoráveis na CCJ e 41 votos no plenário. O relator da indicação é o senador Weverton Rocha (PDT-MA) que já apresentou seu parecer favorável à indicação de Messias na comissão.
Guimarães
Apesar de o nome de Jorge Messias ter chegado ao Senado com as negociações da ex-ministra de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann, é na aprovação do nome de Messias que entra José Guimarães. Durante um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto na última semana, o novo ministro informou que “o pior já passou” sobre os desentendimentos entre os senadores com o indicado do governo.
“Nós vamos dialogar muito com o presidente do Senado para dissipar os desentendimentos. Vamos trabalhar, primeiro na CCJ e depois no plenário. O pior já passou”, disse Guimarães, que reforçou que desde que está “com o diálogo muito forte com Alcolumbre”.
Além disso, durante evento de assinatura de portaria que ofertou novos leitos ao Hospital Universitário do Ceará (HUC), em Fortaleza, o ministro de Relações Institucionais reiterou à imprensa local que o governo está articulando com o Congresso a sabatina de Messias ao STF com o devido cuidado.
“O que vai resolver isso é diálogo, esse é o meu papel, a relação que eu tenho com o Congresso, é dialogar com todos, procurando sempre o melhor para o Brasil e o melhor para o Brasil é a indicação do ministro Messias pelo Senado, que nós estamos tratando com todo carinho”, destacou.