O que acontece se julgamento sobre eleições no Rio terminar em empate?

Ao Correio, analista avalia que Corte teria que guardar chegada de 11º ministro para resolver

Por Gabriela Gallo

Pedido de vista de Dino interrompeu o julgamento

Após a última sessão no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) do julgamento sobre as eleições do mandato tampão no Estado do Rio de Janeiro, aguarda-se a publicação do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que levou à cassação do mandato do ex-governador Cláudio Castro (PL).

No segundo dia de julgamento sobre o caso na última semana, o ministro Flávio Dino pediu vista (mais tempo de análise para seu voto) e declarou que aguarda o acórdão do TSE para “elucidar pontos”. Com o julgamento suspenso, o placar no STF está em 4X1 para eleições indiretas no estado, ou seja, se tal entendimento prevalecer quem decidirá o governador fluminense que comandará até o final do ano será a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Votaram favoráveis para que os deputados estaduais escolham o novo governador do estado até o final do ano Luiz Fux e os ministros da Suprema Corte que também compõem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE): André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Cármen Lúcia, presidente do TSE.

O único ministro que votou pelas eleições serem realizadas com a população geral fluminense (eleições diretas) foi o ministro Cristiano Zanin. Em seu voto, Zanin avaliou que a renúncia de Cláudio Castro foi uma “tentativa de burla” para evitar a convocação de eleições populares no estado. Além de Flávio Dino, faltam os votos dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e do presidente da Corte, Edson Fachin.

Empate?

O prazo para a devolução de pedidos de vista no Supremo é de 90 dias corridos. Contudo, apesar do prazo, a ministra Cármen Lúcia informou que o TSE dará prioridade para publicar o acórdão da decisão que cassou e tornou Cláudio Castro inelegível por oito anos e que ele deve ser apresentado nesta semana. Diante disso, apesar de ainda não ter uma data definida para o retorno do julgamento, a previsão é que a Corte não demore para analisar o caso.

Contudo, considerando que o plenário do STF está com um número par de ministros, e diante de manifestações anteriores de alguns ministros, levanta-se o questionamento sobre a possibilidade do julgamento terminar em um empate, com cinco votos para eleições indiretas e cinco votos para eleições diretas. Desde que o ex-ministro do STF Luís Roberto Barroso se aposentou antecipadamente de seu cargo em outubro do ano passado, a Suprema Corte atua com dez ministros, um a menos, enquanto um substituto não é anunciado.

Questionado pelo Correio da Manhã, o professor de Direito Eleitoral do Ibmec-SP Clever Vasconcelos explicou que, caso venha a ocorrer essa possibilidade, será necessário “esperar a vinda do novo ministro para o desempate”.

“O julgamento ficaria suspenso até a vinda do novo ministro, o que não é recomendável tendo em vista a urgência que o caso requer. Eu acredito, diante da postura do que já foram falados os ministros que já votaram e da tendência dos que irão votar, que não haverá empate. Mas tecnicamente, se houver empate, há que se esperar a vinda do novo ministro”, detalhou o especialista em direito eleitoral.

A sabatina do candidato indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o advogado-geral da União (AGU) Jorge Messias, está marcada para ocorrer no dia 29 de abril na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no período da manhã e, uma vez uma aprovada a indicação de Messias, seguirá para análise no plenário da Casa. Embora o governo avalie que melhorou o ambiente no Senado, não é seguro, porém que Messias será aprovado. A sabatina não é mera formalidade.