Eleições no Rio: 4X1 para eleições indiretas

Dino pede vista e diz que retomará julgamento quando TSE publicar acórdão de cassação de Castro

Por Gabriela Gallo

Dino pediu vista até publicação do acórdão do TSE

No segundo dia de julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) para definir se as eleições para o mandato tampão no Rio de Janeiro serão diretas (voto da população) ou indiretas (votos dos deputados estaduais), o ministro Flávio Dino pediu vista sobre o julgamento.

Em seu pedido, durante a sessão realizada nesta quinta-feira (9), o magistrado alegou que prefere aguardar pela publicação do acórdão do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que levou à cassação de mandato do ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL). Segundo a presidente do TSE e ministra do STF Cármen Lúcia, o acórdão do julgamento deve ser publicado na próxima semana.

“Nós ainda não temos a certidão completa, não temos os votos, não temos o acórdão, a ementa. Por isso, resolvi, neste caso, de forma muito excepcional, pedir vista de ambos os processos, para aguardar a publicação do acórdão”, justificou Dino. Para definir como serão as eleições fluminenses, o plenário do STF julga duas ações.

Votos

Apesar do pedido de vista de Flávio Dino, todos os ministros da Corte que compõem o Tribunal Superior Eleitoral – André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Cármen Lúcia – adiantaram seus votos. Os três acompanharam o voto do ministro Luiz Fux e se manifestaram favoráveis pela eleição indireta no estado, para o mandato-tampão que durará até o final do ano. Portanto, o placar estar em 4X1 para os parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) definirem quem governará o Rio de Janeiro até dezembro.

“Considerando o que foi examinado quanto às consequências objetivas da renúncia, e o que foi decidido lá [TSE], não tenho provas que possa considerar que houve a renúncia como fraude e, portanto, eu também estou votando com a divergência do ministro-relator. Voto pela improcedência da reclamação”, destacou Cármen Lúcia, a última a votar no dia.

O único ministro que votou pelas eleições diretas no Rio foi o ministro Cristiano Zanin, que avaliou que a renúncia de Cláudio Castro foi uma “tentativa de burla” para evitar a convocação de eleições populares no estado. Além de Dino, ainda faltam os votos dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e do presidente da Corte, Edson Fachin.

Histórico

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) renunciou do cargo em 23 de março, um dia antes do TSE cassar o seu mandato e torná-lo inelegível por oito anos por abuso de poder político e econômico durante sua campanha eleitoral em 2022. Como o Palácio Guanabara estava sem um vice direto, já que o vice-governador Thiago Pampolha já tinha renunciado do cargo em maio de 2025 para assumir o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), a sucessão levava ao presidente da Alerj.

Contudo, não foi possível porque o então presidente da Assembleia fluminense, deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), também teve o mandato cassado pelo Tribunal Eleitoral e, dias antes, foi preso sob a suspeita de vazar informações sigilosas para a facção criminosa Comando Vermelho (CV). Na falta de uma figura política, o governador interino do Estado atualmente é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto.

O histórico político do Rio de Janeiro foi motivo de trocas de farpas entre os ministros da Suprema Corte. Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes citaram casos recentes de autoridades fluminenses quem foram presas recentemente (por exemplo, o ex-conselheiro do TCE Domingos Brazão, um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco).

Em resposta o ministro Luiz Fux declarou que os escândalos de corrupção não estão concentrados no Rio. “Essa perplexidade [citada por ministros] não seria tão grande se colegas tivessem participado do julgamento do mensalão, da Lava Jato, desse julgamento [das fraudes] do INSS e do Banco Master, porque os escândalos não são concentrados no estado do Rio”, ele retrucou.