PL é o que mais cresce com janela partidária

Congresso entra em modo eleição após o troca-troca de legendas

Por Beatriz Matos

Redesenho com janela deixa PL com 100 deputados

Com o fim da janela partidária e do prazo de desincompatibilização, o Congresso entra oficialmente em ritmo eleitoral, e com um novo mapa político já desenhado. Levantamento aponta que, entre 5 de março e 3 de abril, ao menos 122 deputados trocaram de partido, movimento que reorganiza forças na Câmara e antecipa a lógica da disputa de 2026.

Os números, foram levantados pelo site Congresso em Foco, e revelam um cenário de concentração e perdas. O PL foi o maior beneficiado: recebeu 20 parlamentares e perdeu nove, com saldo positivo de 11 cadeiras. O Podemos teve desempenho semelhante, com 14 entradas e três saídas, também fechando com ganho de 11 deputados. Na outra ponta, o União Brasil registrou a maior debandada: 25 saídas contra 11 entradas, saldo negativo de 14.

Outras siglas também encolheram. O PDT perdeu sete cadeiras, enquanto o MDB teve saldo negativo de cinco. Já PSB e Republicanos cresceram, com ganhos de quatro e três parlamentares, respectivamente. No consolidado, mais de 20% da Câmara passou por mudança partidária, índice que pode aumentar com a formalização de todas as movimentações.

O impacto já aparece no tamanho das bancadas. O PL chega a cerca de 100 deputados e se consolida como a maior força da Casa. O PT, mesmo com uma perda pontual, mantém a segunda posição, com 67 parlamentares. O União Brasil, apesar da debandada, segue como terceira maior bancada, agora com 51 integrantes.

Estratégia eleitoral

Para o cientista político Rodrigo Augusto Prando, o crescimento do PL está diretamente ligado ao ambiente eleitoral e à força de lideranças associadas ao partido, principalmente, ao bolsonarismo. “O fortalecimento do PL tem uma característica de inegável presença do sobrenome Bolsonaro. Os atores políticos vislumbram que há uma competitividade eleitoral importante nesse campo”, afirma.

Segundo ele, a movimentação reflete menos alinhamento ideológico e mais cálculo estratégico. “Os partidos políticos no Brasil são muito pouco ligados à ideologia e bem mais pragmáticos. As estratégias eleitorais de 2026 é que fizeram com que essas movimentações se apresentassem”, explica.

Com o novo desenho, a tendência é de um Congresso menos focado em pautas estruturais e mais voltado à disputa eleitoral. “Daqui para frente, todo mundo está no modo eleição”, resume o especialista.

Cenário político

O rearranjo partidário também ajuda a antecipar o tom da próxima eleição, ainda marcado pela polarização. Para o especialista, o novo mapa não altera de forma significativa a já fragilizada base do governo. “Não entendo que essas mudanças atrapalhem mais um governo que já não está tão bem em termos de governabilidade”, avalia.

Ao mesmo tempo, partidos que perderam espaço, como União Brasil e PDT, tornam-se menos atrativos no jogo eleitoral. “É uma reorganização bastante pragmática, que pode mudar conforme a conveniência política”, completa.

Agora, com as peças reposicionadas, o Congresso entra em uma fase de menor produção legislativa e maior articulação política.