Nas asas do Banco Master

Rotas de voos tendo autoridades como passageiros são novo constrangimento do caso

Por Beatriz Matos

Uso de aviões novamente envolve Toffoli com o Master

A lista de passageiros de aeronaves ligadas ao entorno de Daniel Vorcaro voltou a circular nos bastidores de Brasília, e os nomes se repetem, muitos deles ligados a decisões e interesses que orbitam o caso Master.

Levantamento obtido pelo jornal Folha de S.Paulo a partir do cruzamento de dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) indica que aeronaves ligadas ao grupo foram utilizadas em diferentes ocasiões por integrantes do alto escalão dos poderes.

Um dos casos envolve o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. Em 4 de julho de 2025, ele embarcou no terminal executivo do aeroporto de Brasília e, minutos depois, um jato da empresa Prime Aviation, que tinha Vorcaro como sócio, decolou com destino a Marília (SP), sua cidade natal. No mesmo período, houve deslocamento de segurança institucional para a região do resort Tayayá, no Paraná, frequentado pelo ministro.

Os dados apontam ainda outros acessos ao terminal ao longo de 2025. Em parte dos casos, o cruzamento das bases permite associar os horários a voos realizados por aeronaves privadas, inclusive vinculadas a empresários.

A relação com o resort também aparece em outro eixo do caso. Até o ano passado, estruturas ligadas ao ministro e a Fabiano Zettel, que é apontado na investigação do STF como operador financeiro de Vorcaro e mantinham participação societária em empreendimento conectado ao Tayayá.

Outro episódio envolvendo Toffoli mostra que antes de ele deixar a relatoria do Master no STF, o ministro realizou uma viagem internacional para acompanhar a final da Libertadores, em Lima, onde o Palmeiras disputou o título. O deslocamento foi feito em aeronave ligada ao Vorcaro.

No fim de semana, o jornal O Estado de S. Paulo divulgou outro caso envolvendo o ministro Kassio Nunes Marques. No final do ano passado, ele viajou em um avião que pertence á empresa Prime You, que administra os bens de Daniel Vorcaro. Nunes Marques foi á festa de aniversário da advogada Camilla Ewerton Ramos, em Maceió. A advogada atua para o Master em ações sobre créditos de empresas do setor de produção de álcool e açúcar.

Padrão

O uso de aeronaves ligadas ao entorno de Daniel Vorcaro por autoridades não é novo e os registros indicam uma repetição de trajetos e passageiros ao longo do tempo.

Um dos nomes que surge nos levantamentos é o do outro ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Dados apontam que ele e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, teriam utilizado aeronaves de empresa ligada ao grupo em diferentes momentos de 2025.

Em nota, o gabinete do ministro afirmou que as informações são “absolutamente falsas” e negou qualquer viagem em aeronaves de Vorcaro ou de pessoas ligadas a ele. Já o escritório Barci de Moraes declarou que contrata serviços de táxi aéreo de diferentes empresas, sem vínculo com proprietários das aeronaves, e que não há relação pessoal com os citados.

O mesmo padrão aparece no campo político. Documentos reunidos pela CPMI do INSS indicam que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o presidente do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira, participaram de deslocamentos em aeronave vinculada ao grupo durante o fim de semana do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, em 2024.

O registro consta em comunicação interna da empresa de gestão de aeronaves ligada ao grupo e detalha trajetos entre o autódromo de Interlagos e o aeroporto de Congonhas. Em mensagens analisadas pela comissão, Vorcaro também demonstra proximidade com o senador Ciro Nogueira, a quem se refere como “um dos meus grandes amigos de vida”.

A equipe de Ciro Nogueira afirmou que o parlamentar mantém diálogo com diversas pessoas, o que não caracteriza proximidade. Antonio Rueda não se manifestou.