Pacheco em Minas e Túlio Gadelha em Pernambuco movimentam xadrezl
Senador será candidato ao governo de Minas. Deputado reforça palanque de Raquel Lyra. Entenda os movimentos
Em mais um movimento da corrida eleitoral para outubro, o senador Rodrigo Pacheco (MG) saiu do Partido Social Democrático (PSD) e se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) para concorrer ao governo de Minas Gerais.
A filiação do ex-presidente do Senado ocorreu na noite desta quarta-feira (1º) em uma cerimônia no diretório nacional do PSB, em Brasília. Estavam presentes o vice-presidente e ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), o presidente nacional do partido e prefeito do João Campos, e o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB).
Ainda nesta quarta-feira, foi divulgado o último levantamento da Pesquisa AtlasIntel para o governo de Minas Gerais, que é o segundo maior colégio eleitoral do país. O levantamento de intenções de voto revelou que Rodrigo Pacheco é um nome competitivo para ser eleito governador do estado, disputando diretamente com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) que, porém, resiste a sair candidato. A pesquisa, realizada entre os dias 25 e 30 de março, ouviu 2.195 eleitores distribuídos entres os 853 municípios mineiros. A margem de erro é de 2 pontos percentuais (p.p).
Em um primeiro cenário, Cleitinho lidera com 32,7% das intenções de voto e Pacheco fica com 28,6% das intenções de voto. Já em um eventual segundo turno entre os dois senadores mineiros, Cleitinho sai na frente com 47% das intenções de voto contra 42% de votos para Pacheco.
Contudo, apesar da aparente favoritismo, o senador Cleitinho ainda não confirmou se concorrerá para governador de Minas. Por meio de suas redes sociais, na última semana, o senador deixou em aberto uma possível candidatura, afirmando que ainda não havia se decidido, mas que não seria governador para “fazer balcão de negócio”, tampouco “vender sua alma” pelo cargo.
Com Cleitinho reticente pelo campo da oposição, Pacheco é a aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para seu palanque no estado mineiro. Um nome alternativo no campo contrário a Lula foi lançado oficialmente na disputa: o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Flávio Roscoe. Ainda na manhã de quarta-feira, Roscoe comunicou seu afastamento do cargo na Fiemg para se filiar ao partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial. Mas nenhum dos cenários testados na AtlasIntel testou Roscoe como possibilidade.
O ex-presidente da Fiemg era há alguns dias o nome certo da oposição. Mas sua candidatura esfriou por um momento depois que vazaram anotações de Flávio Bolsonaro em uma reunião do PL. Entre as anotações, Flávio tinha pontuado ao lado do nome de Roscoe: “Me joga para baixo”. O PL, então, começou a cogitar dois nomes surgidos pela força das redes sociais: além de Cleitinho, o deputado Nikolas Ferreira. Mas ambos resistem à possibilidade por considerarem, justamente, a que a tarefa de administrar um estado limitará suas possibilidades de atuação nas redes.
Presidência
Minas Gerais é considerado um estado central em qualquer disputa eleitoral. Segundo maior colégio eleitoral do país, costuma ser um “estado pêndulo”, ou seja, que oscila na preferência por nomes mais conservadores ou mais progressistas de acordo com cada eleição. Por isso, montar um bom palanque em Minas é considerado fundamental.
Na Pesquisa AltasIntel de Minas Gerais, em um cenário de primeiro turno Lula sai na frente em uma disputa contra Flávio e os governadores de Minas, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Nesse cenário, o petista tem 43,7% das intenções de voto, o filho mais velho do clã Bolsonaro 40,4% dos votos, Zema 4,7%, e Caiado 2,4%. Já em um eventual segundo turno eleitoral, Lula enfrenta empate técnico tanto com Flávio Bolsonaro (Lula com 47,6% das intenções de voto e Flávio com 46,9% das intenções de voto) quanto contra Zema (47,3% para o petista e 46,5% para o governador mineiro).
A Pesquisa AtlasIntel também divulgou um levantamento de intenções de voto no estado do Ceará. Assim como em Minas Gerais, os dados do levantamento foram coletados entre 25 e 30 de março. Os pesquisadores ouviram 1.205 eleitores distribuídos entre os 184 municípios e a margem de erro é de 3 pontos percentuais. De acordo com o levantamento, o presidente Lula vence a corrida presidencial no estado com alta margem de diferença em comparação a seus adversários, tanto no primeiro turno quanto no segundo.
Em um eventual primeiro turno fictício entre Lula, Flávio, Caiado e Zema, o petista já venceria no primeiro turno, acumulando 58,5% das intenções de voto, enquanto Flávio tem 32,1% das intenções de voto, Caiado com apenas 1,7% dos votos e Zema com 1%. Em um eventual segundo turno entre o atual presidente da República e o senador, Lula teria 60% das intenções de voto e Flávio 34,9%.
Contudo, esse cenário otimista para Lula não se repete em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Um levantamento da Pesquisa Atlas/Estadão aponta um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um primeiro turno na disputa pelo Palácio do Planalto e vitória para o senador no segundo turno pelo estado. A pesquisa ouviu 2.254 eleitores paulistas de 24 a 27 de março, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
A pesquisa aponta que, em um eventual primeiro turno, Flávio Bolsonaro teria 43,4% das intenções de voto, Lula teria 42,5% das intenções de votos, Zema 3,2% de votos e Caiado 2,4% das intenções de voto. Já em um segundo turno entre o petista e o senador, Flávio venceria com 49% dos votos e Lula teria 44% dos votos no estado.
Pernambuco
Em outro movimento eleitoral nesta quarta-feira, o deputado federal Túlio Gadelha confirmou sua saída do partido Rede Sustentabilidade para se filiar ao PSD e lançar sua candidatura para o Senado por Pernambuco. Ao se filiar ao Partido Social Democrático, Túlio passa a integrar o palanque da governadora do estado Raquel Lyra (PSD). A articulação ainda teve o aval do Palácio do Planalto, que viu na negociação uma oportunidade de garantir na chapa de Raquel Lyra aliados do governo, formando com ela um palanque plural.
Com o apoio de Raquel Lyra, o presidente Lula terá um palanque duplo em Pernambuco. Isso porque um dos concorrentes da atual governadora para o cargo é o prefeito do Recife e presidente do PSB, João Campos, outro aliado do presidente Lula e o palanque oficial do Partido dos Trabalhadores. Após lançar sua pré-candidatura ao governo do estado em março, João Campos deixará o comando da prefeitura de Recife nesta quinta-feira (2) e deixará a capital pernambucana aos cuidados de seu vice, Victor Marques (PCdoB).
Questionado pela imprensa local quanto à chegada de Gadelha para o palanque de Raquel Lyra, Campos negou preocupação com a aliança, destacando que o seu “dever de casa” é focar em seu palanque e “poder garantir um palanque para o presidente Lula”. A declaração foi realizada durante a entrega da Creche Arthur Araújo Lula da Silva, no bairro de Pina, na quarta-feira.