Nome de Messias é afinal enviado ao Senado

Após meses de resistência e recuo, Planalto avalia ter votos para enfrentar sabatina para o STF

Por Beatriz Matos

Messias acredita ter conseguido os votos para ser aprovado

Depois de meses de espera e resistência nos bastidores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu destravar uma das indicações mais delicadas do seu governo. O advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, que chegou a ser dado como carta fora do baralho, voltou ao centro do tabuleiro com o envio do nome ao Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

O movimento marca uma virada após meses de cálculo político. Indicado ainda em novembro de 2025 para suceder Luís Roberto Barroso, Messias enfrentou forte resistência, especialmente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (que trocou o PSB pelo PSB nesta terça, 31, para, talvez, disputar o governo de Minas Gerais). Sem segurança de votos, o Planalto recuou e segurou a formalização da indicação para evitar um desgaste quase inédito: a rejeição de um nome ao Supremo. Isso só aconteceu no governo Floriano Peixoto, em 1894, quando cinco indicações foram rejeitadas.

Bastidores

Nos corredores do Congresso, o cenário começou a mudar. Após semanas de articulação, que incluíram idas discretas de Messias ao Senado em busca de apoio, a avaliação no governo passou a ser de que a resistência diminuiu. Fontes indicam que o próprio AGU pressionou pelo envio da mensagem, após concluir que já havia votos suficientes para enfrentar a sabatina.

A decisão também ocorre em meio a uma tentativa de reaproximação com Alcolumbre, que esperava uma conversa direta com Lula antes do envio. Ainda assim, o Planalto optou por avançar, apostando que o ambiente político está menos hostil do que no fim do ano passado.

Caminho

Agora, Messias terá pela frente duas etapas decisivas. Primeiro, a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde precisa de ao menos 14 votos entre os 27 senadores, um placar considerado apertado até por aliados. Depois, encara a votação em plenário, onde são necessários 41 votos para a confirmação.

Ciente do desafio, o próprio Messias adotou um tom conciliador. “Darei continuidade à minha jornada no Senado com humildade e fé”, afirmou. Em outro momento, reforçou: “Buscarei novamente o diálogo com todos os senadores e senadoras, pois este é um momento que exige entendimento”.

A estratégia passa por reduzir resistências e ampliar pontes. “Continuarei meu empenho pela pacificação e estabilidade”, disse. E completou: “Como profissional do direito, sempre valorizei o diálogo e a conciliação como as melhores maneiras de resolver conflitos. Reafirmarei meu compromisso com essas credenciais”.

A fala resume o momento: mais do que uma disputa técnica, a indicação virou um teste político. Se aprovado, Messias chega ao Supremo com a missão de consolidar essa narrativa. Se rejeitado, o episódio pode redesenhar a relação entre Planalto e Senado em ano eleitoral.