A conta da fuga começa a chegar para Zambelli
Deputada tentou fugir do cumprimento da pena no Brasil, mas agora pode ser trazida de volta ao país e deve cumprir a condenação na Colmeia
O que começou como uma tentativa de escapar da Justiça brasileira começa a cobrar seu preço. A Justiça italiana autorizou, nesta quinta-feira (26), a extradição da ex-deputada Carla Zambelli.
A decisão, tomada pela Corte de Apelação em Roma, atende ao pedido formalizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após a parlamentar deixar o país mesmo já condenada a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ainda cabe recurso da defesa, o que deve prolongar o desfecho por mais alguns meses.
Condenação
O caso começou em maio do ano passado, quando a Primeira Turma do STF condenou Carla Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto por invadirem sistemas do CNJ e incluírem documentos falsos.
A decisão foi unânime e fixou pena de 10 anos de prisão em regime inicial fechado, além da perda do mandato. Com o trânsito em julgado, no mês seguinte, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena e autorizou o envio do pedido de extradição.
Antes disso, no entanto, Zambelli deixou o Brasil em 25 de maio de 2025, atravessando a fronteira com a Argentina e, em seguida, viajando aos Estados Unidos (EUA). A saída ocorreu dias após a condenação, o que levou o STF a decretar sua prisão preventiva, incluí-la na lista vermelha da Interpol e bloquear seus documentos. Desde então, passou a ser considerada foragida da Justiça brasileira.
Fuga
A movimentação internacional da ex-deputada foi acompanhada de perto pelas autoridades. Após passagem pelos EUA, Zambelli chegou à Itália, país do qual também possui cidadania. Em julho de 2025, acabou presa em Roma por agentes locais, em cumprimento ao alerta da Interpol. Desde então, permanece detida no presídio de Rebibbia, sob o entendimento das autoridades italianas de que há risco de fuga.
O processo de extradição enfrentou uma série de atrasos ao longo dos meses, com audiências adiadas e tentativas da defesa de alterar a composição dos magistrados responsáveis pelo caso. Os advogados também apresentaram novos documentos e chegaram a aderir a uma paralisação da categoria, o que contribuiu para postergar a análise do mérito.
Extradição
Com a decisão da Corte de Apelação, o caso entra agora em uma fase decisiva. A defesa tem prazo de até 15 dias para recorrer e já indicou que pretende levar o caso à Corte de Cassação, instância superior da Justiça italiana. Paralelamente, o processo ainda dependerá do aval político do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, responsável pela palavra final sobre a entrega ao Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores já foi comunicado oficialmente sobre a decisão, e caberá ao Itamaraty acionar o Ministério da Justiça para organizar a eventual transferência. Enquanto isso, Zambelli segue presa em Roma. A expectativa, nos bastidores, é de que, esgotados os recursos, ela seja transferida para o Brasil para cumprir pena, possivelmente na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a famosa Colmeia.