ASSISTA: O que será destaque na edição impressa do Correio nesta quinta (26)
Colunista Tales Faria detalha que risco de fuga é o principal motivo de Alexandre de Moraes, do STF, conceder a Bolsonaro prisão domiciliar de apenas 90 dias
O colunista Tales Faria, do Correio da Manhã, adianta que um dos destaques da edição impressa desta quinta-feira (26) será uma matéria explicando por que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por apenas 90 dias, e não em definitivo.
Segundo Tales, o motivo da decisão é o entendimento de Moraes e de boa parte dos ministros da Corte de que persiste o risco de Bolsonaro voltar a tentar uma fuga.
“Ele (Bolsonaro) já fez isso uma vez. Ele esteve em prisão domiciliar e tentou destruir a tornozeleira eletrônica. Para quê? Para quê que uma pessoa destrói a tornozeleira eletrônica? Para fugir. Antes ainda, o Bolsonaro, quando achou que ia ser preso, quando sentiu os primeiros sinais de que poderia ser preso, foi à embaixada da Hungria e dormiu duas noites lá, se refugiou lá, ou seja, chegou a sair do país, já tinha fugido do país, na prática. Estava na embaixada”, afirma Tales, acrescentando que Bolsonaro é reconhecidamente um descumpridor de leis.
“O histórico do Bolsonaro, é isso que os ministros veem, o histórico do Bolsonaro é de desrespeito à lei. Ele defendeu um golpe de Estado, preparou um golpe de Estado. Isso é um desrespeito completo à Constituição. Antes disso, ele defendeu a sonegação de impostos. Ele disse, eu sonego impostos sempre que posso. Sou a favor da sonegação de impostos. Disse isso num vídeo que está gravado, está rodando aí há anos nas redes sociais. Defendeu a tortura de presos, normais e de presos políticos. Tortura é crime. Defendeu isso”, sublinha o colunista.
“Sempre que é do interesse dele ele defende. Defendeu o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. Defendeu guerra civil. Defendeu o assassinato do Fernando Henrique Cardoso. Pra um sujeito desse, a lei tem limites, o limite do interesse dele. O filho soltou um artigo ontem mesmo dizendo o seguinte: olha, eu acho que o Bolsonaro não está sendo libertado e ele tem que ser libertado porque a prisão é injusta. Ou seja, há grande risco de que ele tente, para que não haja uma tentativa nova de fuga, o Alexandre de Moraes estabeleceu uma série de regras”, pontuou.
Tales prossegue: “Primeira regra: não pode ter celular, se comunicar com ninguém por celular. Se você está na cadeia, você não fica se comunicando; só se você for do PCC e passarem por baixo um celular para você. Então ele não pode ficar usando celular. Bolsonaro já usou celular, já fez uma gravação para um comício de dentro da prisão domiciliar. Então não pode. Não pode fazer isso. Não pode receber visitas dos filhos a hora que eles quiserem. E são visitas curtas, 30 minutos”.
O colunista conclui: “Sempre que ele tiver que sair da residência, tem que sair com autorização da Justiça ,sabendo-se para onde vai. Precisa ir para o hospital, tem que avisar. Os médicos acham que é preciso ir agora fazer um check up, alguma coisa? Tem que avisar. Não pode. Não é Ah, vou para lá e faço com... E daqui a 90 dias, aí sim, se reavalia se ele se comportou bem, e se ele pode ficar mais 90 dias, mais 70 dias, o tempo que for necessário, se há necessidade, se os médicos insistem nisso. É isso, simples assim. Mas a família não anda concordando com isso. Vai insistir em libertá-lo ou soltá-lo”.