Moro se filia ao PL para disputar Paraná
Ex-ministro que rompeu com Bolsonaro retorna agora
A trajetória política do senador Sergio Moro tem mais reviravoltas que uma montanha-russa. Ex-juiz, Moro conduziu a Operação Lava Jato, que produziu diversas condenações, inclusive a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foram anuladas quando se descobriu combinações entre ele e procuradores nos processos. Tornou-se ministro da Justiça do ex-presidente Jair Bolsonaro, e deixou o cargo denunciando Bolsonaro por interferência indevida na Polícia Federal. Rompeu com Bolsonaro. Reaproximou-se dele no final das eleições de 2022. Tentou ser candidato a senador por São Paulo, não conseguiu domicílio eleitoral. Optou pelo Paraná. Agora, deixa o União Brasil e se filia ao PL, o partido de Bolsonaro e de seu filho, Flávio, candidato à Presidência.
A filiação aconteceu nesta terça-feira (24) em Brasília, em evento com a participação de Flávio Bolsonaro. Sergio Moro foi claro: seu palanque será de Flávio no Paraná.
O ingresso de Moro no PL turbina as eleições paranaenses. Foi considerado o principal fator a fazer o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), desistir de ser candidato à Presidência para ficar no governo e tentar conduzir sua sucessão de modo a evitar a vitória de Moro. Uma tarefa que as pesquisas mostram ser difícil. O último levantamento do Paraná Pesquisas divulgado no dia 12 de março mostra Moro com 44% das intenções de voto.
“Entre aspas”
Na filiação, Moro fez uma provocação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no sentido das desconfianças que o ex-presidente Jair Bolsonaro sempre levantou de fraude nas eleições. Desconfianças que não foram provadas. Moro disse que Lula venceu as eleições “entre aspas”.
“O Paraná não vai faltar ao projeto liderado por Flávio”, disse Sergio Moro. “Vamos trabalhar para que Vossa Excelência tenha uma grande vitória no nosso estado”, completou.
O evento também marcou a filiação do ex-procurador Deltan Dallagnol e da esposa de Moro, a deputada federal Rosângela Moro. Os planos do PL são completar a chapa de Moro como governador tendo como candidatos ao Senado Dallagnol e o deputado federal Felipe Barros, também do PL. Depois de Santa Catarina, será mais uma chapa puro-sangue do PL.