Caminhoneiros desistem de greve
Representantes serão recebidos por Boulos nesta sexta-feira
Ao final de assembleia que começou na quarta-feira (18), os caminhoneiros resolveram não levar adiante a greve que ameaçavam em protesto à alta no preço do óleo diesel, consequência na guerra no Oriente Médio entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A decisão da categoria foi não fazer a paralisação após uma intensa série de articulações com o governo. Nessa tarefa para demovê-los, ficou marcada uma reunião na próxima semana com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. A informação é da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.
Diante do aceno, na tarde de quinta, os caminhoneiros resolveram não iniciar a greve e manter as negociações com o governo.
Piso mínimo
Enquanto a assembleia acontecia, o governo baixou uma Medida Provisória (MP), que reforça as regras para o cumprimento do piso mínimo de frete, uma das reivindicações da categoria.
No dia 12 de março, o governo anunciou a redução de impostos sobre o preço do combustível. Na prática, seria uma redução de R$ 0,32 do PIS e Cofins, e R$ 0,32 da subvenção. Assim, a medida traz um impacto de R$ 0,64 por litro. E tenta negociar com governadores redução na cobrança do ICMS.
A MP editada agora busca dar maior proteção aos caminhoneiros no pagamento do frete, tornando mais rigorosas as penalidades caso haja descumprimento por parte do pagador. As empresas transportadoras poderão sofrer desde a suspensão cautelar de registro até o cancelamento da autorização para atuar no setor por até dois anos, em casos mais graves ou de reincidência.
Preço do diesel
Os caminhoneiros reclamam que, em alguns estados, o diesel teve um aumento próximo a 18% desde fevereiro. E a tendência é que venha a só a aumentar diante das dificuldades como consequência da guerra no Oriente Médio.
Além disso, criticam o desrespeito ao preço mínimo do frete, ou seja, o valor que as empresas devem pagar pelo transporte das mercadorias para cobrir os custos. O piso do frete foi uma das conquistas da greve de caminhoneiros de 2018, durante o governo Michel Temer.
O governo Lula tem tentando desmobilizar o movimento e impedir a paralisação com anúncio de medidas para resolver as reclamações da categoria. Entre elas, redução do PIS e Cofins no preço do diesel e o aumento da fiscalização, inclusive por meio eletrônico, do cumprimento do piso do frete para caminhoneiros.