Delação de Vorcaro pode revelar novos nomes na trama
Com a prisão mantida pelo STF, o caso de Daniel Vorcaro ganha novos contornos
Pela primeira vez, o caso de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, está sendo analisado de forma colegiada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão virtual, iniciada nesta sexta-feira (13), já formou a maioria para manter a prisão preventiva do empresário, com o relator, ministro André Mendonça, acompanhado pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques. Apesar da maioria já formada, o julgamento pode se estender até o dia 20 de março, pois ainda falta o voto de Gilmar Mendes, que pode influenciar o desfecho do processo.
O caso envolve um esquema de fraudes financeiras de grande porte, incluindo a suposta venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao Banco Regional de Brasília (BRB) e suspeitas de lavagem de dinheiro.
Com o desfecho do julgamento se aproximando, nos bastidores cresce a possibilidade de uma possível delação premiada do empresário, principalmente após o banqueiro trocar de defesa. Com a saída de Pierpaolo Bottini, Vorcaro passará a ser defendido pelo advogado criminalista José Luís Oliveira Lima, o Juca. O novo advogado é conhecido por sua atuação em grandes processos e vê na delação premiada uma possível estratégia de defesa para o banqueiro.
O impacto de uma possível delação é imenso, podendo revelar novas conexões e o envolvimento de figuras de destaque no governo e na política.
Moraes
As mensagens extraídas de apenas um celular de Voracro já revelaram parte de conversas com figuras políticas e autoridades, incluindo uma pessoa chamada “Alexandre Moraes”, apontado como o ministro do STF Alexandre de Moraes. Trechos das mensagens indicam que Vorcaro teria mantido contato com Moraes inclusive no dia em que foi preso pela primeira vez, em 17 de novembro do ano passado. O material também faz referência a reuniões reservadas entre o empresário e o magistrado em Brasília. O ministro, porém, nega qualquer tipo de envolvimento.
Além das mensagens que envolvem o ministro Alexandre de Moraes, o caso Master também chama atenção pela relação do ministro Dias Toffoli com o processo, inicialmente relator do caso. Toffoli já havia se afastado da relatoria e, antes de o julgamento iniciar, se declarou suspeito de julgar o caso devido a sua ligação com uma empresa que vendeu cotas de um resort a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.
Devido ao volume de material que ainda precisa ser periciado, a Polícia Federal pretende solicitar a prorrogação do prazo para conclusão do inquérito por mais 60 dias. Até o momento, os investigadores só conseguiram analisar um único aparelho, outros oito ainda não foram analisados e podem trazer novas revelações que podem ser determinantes para o avanço das investigações.
O banqueiro foi preso no dia 4 de março, na terceira fase da operação Compliance Zero. Além de Vorcaro, outros investigados, como seu cunhado Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — o “Sicário” — e Marilson Roseno da Silva, também foram alvos da operação Compliance Zero. Sicário, no entanto, suicidou-se dentro da cela no mesmo dia que foi levado para a prisão.