Lula deve ter Haddad, Alckmin e Tebet em São Paulo

Vice será responsável por articulação no interior do estado, que tem histórico de oposição ao PT

Por Gabriela Gallo

Lula quer Alckmin para reduzir rejeição no interior

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve longa conversa nesta terça-feira com seu vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A expectativa é que, após essa conversa, Lula anuncie nos próximos dias seu palanque oficial para as candidaturas representando São Paulo.

Nos bastidores, o presidente manifesta interesse de que Haddad concorra ao governo do estado para disputar contra a reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que aparece à frente dos demais adversários nas últimas pesquisas de intenções de voto. Para representar São Paulo no Senado Federal, a expectativa é que o palanque seja formado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin (PSB), e pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB).

Como fora adiantado pelo Correio da Manhã, o presidente da República aproveitou uma agenda em São Paulo com os ministros para realizar uma reunião para alinhar seu palanque político para o estado. Ele reuniu os três na abertura da II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT), na noite desta terça-feira (3). Além dos três ministros e de Lula também estava presente o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. O evento vai até esta quinta-feira (5) no Centro de Convenções Anhembi, em São Paulo.

Haddad

Desde o começo do ano, a previsão já era que Haddad e Tebet deixassem seus cargos no governo até o prazo limite de 4 abril, seis meses antes das eleições como diz a legislação eleitoral. Sobre Alckmin, a tendência poderia ser outra, porque ele mesmo resistia a ceder o cargo de vice-presidente.

Em janeiro, o ministro da Fazenda, em entrevista concedida ao Uol, negou qualquer interesse em concorrer a um novo cargo político e sim focar na campanha presidencial para a reeleição de Lula.

A situação, contudo, foi se alterando ao longo dos dias. Nesta segunda-feira (2), ao participar de uma aula magna para calouros da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP), Haddad não confirmou que concorrerá a um cargo político, mas esclareceu que a alternativa está em discussão.

“O presidente tem desenhado cenários em que a minha participação é necessária, e eu, evidentemente, sendo um amigo de tantos anos, não posso prescindir da opinião dele sobre isso. Estou analisando, ele também, e vamos chegar em um denominador comum”, disse Fernando Haddad na USP.

Movimentações

Mas apesar de os nomes indicados serem considerados fortes na disputa política, ainda são necessárias algumas movimentações internas. Uma vez confirmada a candidatura de Geraldo Alckmin para o Senado, a intenção é que o atual vice-presidente, que já governou São Paulo, articule a campanha favorável a Lula no interior de São Paulo, que historicamente tende a eleger candidatos de direita e enfrenta resistência ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Por parte de Simone Tebet, para voltar ao Senado por São Paulo e não pelo Mato Grosso do Sul, ela precisará trocar de partido. Isso porque o MDB em São Paulo já confirmou apoio à candidatura de Tarcísio de Freitas. Como adiantado pela coluna Tales Faria do Correio da Manhã, a ministra estuda se filiar ao PSB.