Voos de Nikolas em jatinho ligado a Vorcaro entram na mira política

Caso envolve campanha de Bolsonaro e ocorre em meio a cancelamento de sessão da CPI

Por Rudolfo Lago -BSB

Nikolas diz que não sabia que avião era de Vorcaro

Se o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, provoca desgastes ao governo, uma situação agora poderá vir a desgastar a oposição. Outros deputados começaram a ter seus nomes associados ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Desta vez, o centro da controvérsia envolve o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), após a revelação de que ele utilizou uma aeronave ligada ao banqueiro durante a campanha eleitoral de 2022.

A informação foi divulgada pelo jornal O Globo. Segundo a apuração, Nikolas participou da caravana “Juventude pelo Brasil”, em apoio ao então presidente Jair Bolsonaro (PL), percorrendo ao menos nove estados e o Distrito Federal (DF) no segundo turno. Os deslocamentos teriam sido feitos em um avião Embraer 505 Phenom 300, com capacidade para 11 passageiros.

Registros de transponder indicariam que os voos coincidem com as datas e cidades visitadas entre 20 e 28 de outubro de 2022, incluindo capitais do Nordeste, Brasília e municípios mineiros. À época, porém, as investigações sobre o empresário ainda não eram públicas. A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), só teve desdobramentos conhecidos a partir de novembro de 2025, após apurações iniciadas em 2024 sobre supostas fraudes financeiras.

Em nota, Nikolas afirmou que participou do voo a convite para agenda de campanha e que desconhecia o proprietário da aeronave. Segundo ele, não havia qualquer informação pública que levantasse suspeitas sobre irregularidades naquele momento.

Reação política

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, questionou nas redes sociais a eventual ausência de declaração da utilização da aeronave à Justiça Eleitoral e associou o episódio ao escândalo financeiro envolvendo o Master.

Já a deputada estadual Bella Gonçalves (Psol-MG) protocolou representação na Procuradoria-Geral Eleitoral pedindo investigação sobre possível uso indevido de recursos privados na campanha. Na Câmara, o deputado Rogério Correia (PT-MG) apresentou requerimentos para convocar Nikolas à CPMI do INSS e solicitou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal, além de medidas semelhantes contra o pastor Guilherme Batista, ligado à Igreja Lagoinha.

CPI suspensa

Enquanto a polêmica ganhava novos capítulos, a CPI do Crime Organizado cancelou a sessão desta terça-feira (3) que ouviria o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o empresário João Carlos Falbo Mansur, da Reag Investimentos.

O presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), informou que o ministro André Mendonça, do STF, concedeu habeas corpus a Campos Neto, dispensando-o do comparecimento obrigatório. O empresário Mansur, por sua vez, não compareceu, apesar da decisão judicial que mantinha sua convocação.

Com isso, o depoimento foi reagendado para a próxima semana. A depender do andamento, a comissão poderá deliberar apenas sobre requerimentos nos próximos dias.