Empresa de Toffoli na mira da CPI do Crime Organizado
Comissão do Senado aprovou quebra de sigilos da Maridt Participações, ligada ao ministro do STF, e convocou envolvidos no caso Master
O Caso Master ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (25) depois de a CPI do Crime Organizado do Senado aprovar a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Maridt Participações, empresa que tem como sócios o ministro do STF Dias Toffoli e seus irmãos.
O requerimento, apresentado pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), também solicita ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) o envio de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e determina o acesso a contas, aplicações e dossiê fiscal da companhia. A medida foi aprovada de forma consensual, após tentativa frustrada do governo de barrar a iniciativa.
Na justificativa, o relator afirmou que o objetivo é “desmantelar a complexa rede de influência e lavagem de capitais que orbita em torno do Banco Master e de suas conexões com agentes públicos de cúpula”.
Resort Tayayá
A Maridt integrou o grupo responsável pelo resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). Segundo o relator, há indícios de conexão entre os sócios da empresa e a Reag Trust, administradora de fundos citados nas investigações.
A Reag foi mencionada em apurações relacionadas à Operação Carbono Oculto, que investigou lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Em relatório enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central (BC) apontou que operações estruturadas entre o Master e fundos administrados pela gestora, entre julho de 2023 e julho de 2024, somaram R$ 11,5 bilhões.
Toffoli era relator do caso no STF até 12 de fevereiro, quando deixou a condução do processo, hoje sob responsabilidade do ministro André Mendonça.
Convocações
Além da quebra de sigilo da Maridt Participações, a CPI do Crime Organizado aprovou a convocação do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Quando há convocação, o comparecimento é obrigatório, podendo haver condução coercitiva em caso de ausência injustificada.
Também deverão depor o ex-CEO e sócio da instituição, Augusto Ferreira Lima; o superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Félix de Oliveira Neto; o ex-diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia, Luiz Antônio Bull; e o sócio Ângelo Antônio Ribeiro da Silva.
No núcleo empresarial ligado ao ministro do STF Dias Toffoli, foram convocados os irmãos do magistrado, José Carlos Dias Toffoli Cônego e José Eugênio Dias Toffoli, sócios da Maridt, empresa que teria recebido valores vinculados a fundos relacionados ao Banco Master.
Já a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, foi convidada a comparecer. O escritório do qual ela é sócia firmou contrato com o Banco Master entre 2024 e 2027, no valor de R$ 3,6 milhões mensais — cerca de R$ 129 milhões ao longo de três anos — para atuar na defesa dos interesses do Banco Master. Por se tratar de convite, o comparecimento dela é facultativo.
Efeito dominó
O avanço ocorre em paralelo a outras frentes abertas após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, no mesmo dia da primeira fase da Operação Compliance Zero.
A instituição, que havia crescido de forma acelerada após ser rebatizada em 2021, registrou patrimônio líquido de R$ 4,7 bilhões em 2024, antes de entrar em colapso. O banco teve origem na Corretora Máxima, criada em 1970, e passou ao controle de Vorcaro em 2018.
