PL aciona TSE contra Lula por homenagem de escola de samba
Janja e ministras teriam usado avião da FAB para participar de reunião na escola
A Acadêmicos de Niterói foi rebaixada. Mas o desfile da escola em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda tem repercussões políticas.
Dias após a apresentação da escola de samba, com o samba-enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, na Marquês de Sapucaí neste carnaval, o Partido Liberal (PL) encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma representação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por suposto abuso de poder político e econômico envolvendo o desfile. O documento, assinado na última quinta-feira (19), foi divulgado pelo senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e é assinado por três advogados do PL.
Peça de promoção
A peça alega que a apresentação carnavalesca evidenciou “incontestável peça política de promoção e exaltação pessoal da figura de um pré-candidato”, além de realizar uma “desconstrução da imagem política de seus opositores”, no caso, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “com desvirtuação do próprio pré-anunciado objeto do desfile (narrar a história de vida de uma dada pessoa)”. Em um dos carros alegóricos do desfile apareceu um palhaço, remetendo-se ao apelido de Bolsonaro (“Bozo”) assumindo a Presidência da República e depois deixando-a e, ao final, preso – como se encontra o ex-chefe de Estado, que está detido por tentativa de golpe de Estado.
“Em resumo: teve-se a transmutação de um desfile carnavalesco em uma apoteótica peça de marketing político-biográfico e de ataque a opositores. O desfile da agremiação Acadêmicos de Niterói, sob o enredo "Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", não se limitou à esfera da expressão cultural, mas avançou para uma estrutura de financiamento e gestão que confunde, deliberadamente, o público e o privado, com clara conotação eleitoral”, declara o documento.
Dias antes do desfile, os ministros do TSE rejeitaram, por unanimidade, recursos de partidos da oposição que tentaram barrar o desfile, sob a justificativa de que não era possível julgar um fato que ainda não tinha ocorrido, sob o risco de cometerem censura prévia. Mas a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, destacou que o processo não foi encerrado e que poderia eventualmente voltar a ser analisado. Baseado nas repercussões do desfile, esta é a expectativa.
Janja
Outra possível argumento que a oposição pode adotar contra o desfile, refere-se à primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja. Em outubro de 2025, a primeira-dama foi ao Rio de Janeiro em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e teria ido participar de uma reunião com representantes da Acadêmicos de Niterói. As informações são do Metrópoles. A acompanhavam as ministras de Igualdade Racial, Anielle Franco, e de Ciência e Tecnologia, Luciana Santos. Após a visita, elas participaram do evento de lançamento Conferência da Década dos Oceanos de 2027.
Ao Correio da Manhã, o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação confirmou o voo para o Rio de Janeiro em 6 de outubro de 2025, e ressaltou que a viagem das ministras e da primeira-dama “teve como foco central o fortalecimento do protagonismo científico brasileiro na preservação dos oceanos”.
“Em cerimônia ocorrida no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro (RJ), a ministra Luciana Santos e a Enviada Especial para Mulheres da COP 30, a primeira-dama, Janja Lula da Silva, lançaram oficialmente o Brasil como sede da Conferência da Década dos Oceanos de 2027. O evento será co-organizado pela pasta, em parceria com a Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da Unesco e a cidade do Rio de Janeiro”, informou a nota.
A assessoria da primeira-dama e do Ministério de Igualdade Racial não se manifestaram até o fechamento desta reportagem, que segue com o espaço aberto para eventuais manifestações.
