Na Índia, Lula defende governança global multilateral para IA
Presidente alerta sobre riscos na democracia com manipulação de imagens por inteligência artificial
Depois do carnaval, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) partiu para uma agenda internacional na Ásia. Ele atualmente está em Nova Délhi, capital indiana, onde permanecerá até este domingo (22) e depois seguirá para a Coreia do Sul. Nesta quarta-feira (19), em seu discurso na Cúpula sobre o Impacto da inteligência Artificial (IA), o chefe de Estado brasileiro defendeu uma governança internacional da Inteligência Artificial, universalizada pelas Nações Unidas, “que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento”.
“Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas. A aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial são exemplos desse fenômeno. Elas podem multiplicar o bem-estar coletivo ou lançar sombras sobre os destinos da humanidade. A Revolução Digital e a Inteligência Artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes. Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como conectamos uns com os outros. Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho”, destacou Lula.
Em ano eleitoral no Brasil, o chefe de Estado e pré-candidato à reeleição presidencial no Brasil em outubro reiterou como a manipulação de imagens e vídeos com a inteligência artificial “distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”.
“Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder. Sem ação coletiva, a Inteligência Artificial aprofundará desigualdades históricas. Capacidades computacionais, infraestrutura e capital permanecem excessivamente concentrados em poucos países e empresas”, defendeu o presidente brasileiro.
Viagens
Já no ramo empresarial, nesta sexta-feira (20) e sábado (21), Lula participa do Fórum Empresarial Brasil-Índia 2026, encontro que também inaugura o escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em Nova Déhli. Segundo a ApexBrasil, as relações comerciais bilaterais entre ambos os países alcançou US$ 15,2 bilhões em 2025, um aumento de 30% na exportações brasileiras em comparação ao ano anterior. A medida aponta 378 oportunidades comerciais para produtos e empresas brasileiras, que variam de combustíveis minerais, máquinas, equipamentos, alimentos e até setores ligados à saúde.
Na Coreia do Sul, a visita de Lula e sua comitiva (composta por ministros e empresários) também tem foco empresarial. O brasileiro desembarca em Seul, capital sul-coreana no domingo e, na próxima segunda-feira (23) participará do Fórum Empresarial Brasil-Coreia, que reunirá 230 empresas brasileiras para oportunidades de diálogos econômicos e comerciais. Lula retorna para o Brasil na terça-feira (24).
Ao final da agenda comercial na Ásia, a expectativa é que a diplomacia brasileira confirme e anuncie a data do encontro presencial entre Lula e o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump (Republicano), previsto para março. Segundo o vice-presidente do Brasil e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), a expectativa é que Lula negocie com Trump para o norte-americano retirar os produtos brasileiros que seguem com as tarifas de 50% impostas pelo governo estadunidense.
