Extradição de Carla Zambelli deve vir nos próximos dias

Corte de Apelação italiana finalizou fase de audiência; defesa ainda pode recorrer

Por Gabriela Gallo

Expectativa é que decisão sobre extradição não demore

A Corte de Apelação de Roma, na Itália, deve divulgar a sentença para a extradição, ou não, da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil nos próximos dias. Na quinta-feira (12), a Corte italiana finalizou a fase de audiência do julgamento de extradição da ex-parlamentar brasileira. Ainda não foi divulgado o resultado oficial da Corte.

Foram dois dias de julgamento, que ocorreram a portas fechadas. Prestaram depoimento um representante da Advocacia-Geral da União (AGU) e um advogado de defesa da acusada. Ao receber a decisão da Corte, a defesa de Zambelli poderá recorrer para a Corte de Cassação, última instância da Justiça italiana, em até 15 dias. Apesar da análise do mérito ter sido concluída, a Corte pode solicitar mais documentos para embasar a decisão final.

Após a decisão da Corte de Cassação, a palavra final ficará a cargo do Ministério da Justiça italiano. Os advogados da ex-parlamentar devem reforçar a narrativa de que Zambelli não estará segura caso seja transferida para cumprir pena na Penitenciaria da Colmeia, no Distrito Federal.

Antes do início oficial do julgamento, que fora adiado três vezes, a defesa da detenta brasileira entrou com um pedido que solicitava a troca dos juízes envolvidos no julgamento, alegando que estes não tinham condições de garantir um julgamento imparcial. O pedido foi negado no dia 10 de fevereiro, pela 1ª Seção Penal da Corte de Apelação, sessão que foi majoritariamente feminina.

Condenações

Carla Zambelli está presa desde julho de 2025 na Penitenciária Feminina de Rebibbia, em Roma. Ela foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por dois processos judiciais contra ela, que somam quinze anos de prisão.

O primeiro se refere a ela ter sido a mandante da invasão do sistema interno do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela contratou os serviços do hacker Walter Delgatti Neto, conhecido como o “hacker de Araraquara” para invadir o sistema do CNJ e emitir um mandado de prisão falso contra o ministro só STF Alexandre de Moraes, que estaria assinado pelo próprio. Ambos foram condenados pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica, ela a dez anos de pena e Delgatti Neto a oito anos de detenção.

Após a condenação do STF, ela fugiu para a Itália. Inicialmente, Zambelli disse que tinha ido para realizar tratamentos de saúde, mas depois confirmou que a intenção era se proteger da condenação vinda da Justiça brasileira, acreditando que a dupla cidadania italiana iria garantir que ela pudesse permanecer em solo italiano. Porém, após um pedido da Polícia Federal (PF) brasileira, o nome dela foi adicionado à lista de difusão vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), o que a tornou uma fugitiva internacional, permitindo que ela fosse presa em qualquer lugar do mundo. Ela foi presa em julho em Roma, onde permanece até hoje.

Já a segunda condenação se refere quando Zambelli perseguiu um homem pelas ruas de São Paulo com uma arma de fogo em mãos, nas vésperas do segundo turno de 2022. Ela foi condenada a cinco anos de prisão, por nove votos favoráveis e dois contrários, pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.