PF pede suspeição de Toffoli no caso Master

Ministro é mencionado em conversas no celular de Vorcaro

Por Por Beatriz Matos

Toffoli reage ao pedido de suspeição da PF: "Ilações"

A Polícia Federal (PF) pediu na tarde desta quarta-feira (11) que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin considere a suspeição do ministro Dias Toffoli como relator das investigações que envolvem o Banco Master.

O pedido decorre do fato de a PF ter encontrado no celular de Daniel Vorcaro, o dono do Master, conversas que mencionam Toffoli. A PF já havia feito pedido semelhante à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas o procurador-geral, Paulo Gonet, não acatou a solicitação, alegando que ele já tinha afastado a suspeição quando analisou pedido semelhante feito por parlamentares da oposição.

O pedido feito agora ao STF pode não prosperar. Há um entendimento na Corte de que tal prerrogativa só caberia à PGR, não tendo Fachin poderes para retirar Toffoli do processo. De qualquer modo, o pedido da PF é mais um ingrediente a agravar a crise envolvendo o STF e o banco.

Em nota, Dias Toffoli volta a negar qualquer envolvimento, e diz que o pedido da PF se ampararia somente em "ilações".

"O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte", diz a nota do ministro.

Dinheiro voou

Enquanto o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ainda calcula os milhões que precisará recompor para ressarcir investidores após a liquidação do Banco Master, notas de alto valor voavam pela janela de um dos alvos da nova fase da operação que apura as fraudes envolvendo a instituição. A cena, registrada na manhã desta quarta-feira (11) em Balneário Camboriú (SC), escancarou o contraste entre o rombo institucional e o dinheiro vivo que ainda circula nos bastidores do caso.

No mesmo dia, o grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado avançou em outra frente: reuniu-se com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e, no fim da tarde, com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.

O objetivo do grupo é obter acesso a documentos da investigação para aprofundar a apuração. Segundo o presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), o encontro com o diretor da PF foi produtivo.