Senado avança no caso Master

Pesquisa aponta que parlamentares desconfiam do STF

Por Beatriz Matos

CAE aprovou uma série de depoimentos sobre o Master

A investigação do Senado Federal sobre o colapso do Banco Master avançou nesta terça-feira (10) com a aprovação de uma série de convocações pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

A apuração, que ocorre em paralelo às investigações da Polícia Federal (PF) e a processos em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), tem como foco esclarecer responsabilidades, falhas de fiscalização, ter acesso a documentos sigilosos e ainda investigar eventuais conexões institucionais que permitiram a atuação do banco por anos no sistema financeiro.

No centro das apurações estão os sócios do Banco Master, Daniel Vorcaro e Augusto Lima, que tiveram convites aprovados para prestar depoimento à comissão. Os dois são apontados como personagens centrais do caso que revelou operações bilionárias e levantou questionamentos sobre mecanismos de controle e supervisão do sistema financeiro nacional.

Além dos controladores do Master, os senadores aprovaram a convocação do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa. A oitiva busca esclarecer a atuação do banco público e os vínculos mantidos com o Master, ampliando o alcance institucional da investigação para além dos sócios da instituição privada.

Autoridades

A CAE também aprovou convites para ouvir autoridades e ex-dirigentes de órgãos de controle e fiscalização. Estão previstos depoimentos do presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo; do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo; do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; do diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino; do ex-diretor do BC Paulo Sérgio Neves de Souza; do atual presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e do ex-diretor do BRB Jaques Henrique de Melo.

Ainda não há calendário definido para as oitivas. Segundo os senadores, a expectativa é que as datas sejam organizadas ao longo da segunda quinzena de fevereiro.

Congresso

O avanço da comissão ocorre em paralelo à divulgação de uma pesquisa do Ranking dos Políticos, que aponta confiança maior do Congresso no Banco Central (BC) do que no Supremo Tribunal Federal (STF) na condução do caso do Banco Master. O levantamento foi realizado entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro e ouviu 108 deputados federais, de 18 partidos, e 30 senadores, de 12 legendas, com margem de erro de 6,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Na pesquisa, os números mostram que, enquanto o Banco Central mantém capital institucional relevante no Congresso, com avaliações concentradas entre “boa” e “regular”, o STF enfrenta desgaste transversal, mais intenso à direita, mas presente também no centro e até na esquerda.

Banco Central

Antes mesmo do avanço das investigações criminais e parlamentares sobre o colapso do Banco Master, o Banco Central (BC) decidiu pela liquidação extrajudicial da instituição, assumindo o controle do processo para conter riscos ao sistema financeiro e preservar a estabilidade do mercado. Foi essa atuação que serviu de base para a avaliação feita por deputados e senadores no levantamento do Ranking dos Políticos.

Na Câmara dos Deputados, a atuação do BC foi classificada como “boa” por 36,1% dos parlamentares, “regular” por 22,2% e “excelente” por 10,2%. Em contrapartida, 13,9% avaliaram a condução como “ruim” e 17,6% como “péssima”, o que mostra que, apesar de predominante, a avaliação positiva não é compartilhada por toda a Câmara.

No Senado Federal, a leitura é mais positiva. Quase 44% dos senadores consideraram a atuação do Banco Central “boa”, 26,7% a classificaram como “regular” e 6,7% como “excelente”. As avaliações negativas somam 13,3%, sendo 10% “ruim” e 3,3% “péssima”, enquanto 10% optaram por não responder.

Ao observar a posição política dos deputados, a pesquisa mostra que a avaliação do Banco Central é mais favorável entre parlamentares de esquerda. Os dados mostram que quase 52% de deputados classificam a atuação como “boa” e 24,1% como “excelente”. Já na ala do centro, prevalece uma leitura mais cautelosa, com predominância da avaliação “regular” com 36%, seguida de “boa” com 34%. Já na direita, a percepção é mais crítica: 30% classificam a atuação como “péssima” e 20% como “ruim”, embora 40% ainda apontem avaliação “regular”.

STF

Quando o foco se desloca para o Supremo Tribunal Federal (STF), o cenário muda de forma significativa. Na Câmara, apenas 5,6% dos deputados avaliaram a atuação do STF como “excelente” e 17,6% como “boa”, enquanto 24% consideraram a atuação “regular”. As avaliações negativas predominam e marcam quase 19% que classificam como “ruim” e 34,3% como “péssima”, o maior percentual individual da pesquisa.

No Senado, o STF também enfrenta reprovação elevada. Apenas 3,4% avaliaram a atuação como “excelente” e 13,3% como “boa”. Outros 10% acreditam que a atuação do órgão é “regular”, enquanto 30% classificaram como “ruim” e 33,3% como “péssima”. Há ainda 10% de senadores que não responderam.

A separação por posição política revela que a rejeição ao STF é quase absoluta entre parlamentares de direita. Na Câmara, 75% desse grupo classificaram a atuação da Corte como “péssima”, e outros 20% como “ruim”. No centro, a avaliação é mais distribuída, mas ainda negativa: 30% apontaram “ruim” e 26% “péssima”. Já na esquerda, embora haja maior dispersão, a reprovação também é significativa: 24,1% avaliaram como “péssima” e 10,3% como “ruim”, contra 31% de avaliações “boas” e 27,6% “regulares”.