Senado pressiona por informações no caso Master

CAE tenta destravar sigilos de documentos do BC e do STF

Por Beatriz Matos

Renan quer acesso a documentos sigilosos sobre o Master

A ofensiva institucional do Senado para acessar informações protegidas sobre a liquidação do Banco Master ganha força nesta semana, com reuniões estratégicas da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) com a Polícia Federal (PF) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

A movimentação ocorre em meio à ampliação das apurações sobre o grupo financeiro e evidencia a pressão política para esclarecer suspeitas de fraudes, falhas de supervisão e eventuais responsabilidades no sistema financeiro.

Na quarta-feira (11), o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), se reúne às 17h com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, na sede da corporação, para solicitar o compartilhamento de informações e inquéritos já instaurados sobre o caso. Em seguida, às 18h30, Renan participa de um encontro institucional com o ministro Edson Fachin, com a presença da subcomissão criada no âmbito da CAE.

Impasse

Na semana passada, parte dos senadores da comissão se reuniu com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e requisitou a íntegra da documentação relacionada ao Banco Master, inclusive materiais protegidos por sigilo.

Embora Galípolo tenha se mostrado receptivo ao diálogo, participantes do encontro relataram que o compartilhamento das informações depende de autorização do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo, que determinou forte restrição de acesso aos autos. A expectativa da CAE é que os contatos institucionais com o STF ajudem a destravar esse impasse.

Cobrança

Antes mesmo do encontro com o Banco Central, Renan Calheiros elevou o tom e cobrou esclarecimentos. O senador afirmou que o BC “precisa ajudar” o Senado a destrinchar o esquema envolvendo o Master, e lembrou que a comissão dispõe de instrumentos para aprofundar a fiscalização, inclusive a possibilidade de solicitar ao plenário a quebra de sigilo de dados protegidos.

Renan também anunciou a intenção de encaminhar questionamentos formais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre uma reunião fora da agenda oficial com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

CVM

Enquanto o Senado atua para ampliar o acesso a informações sensíveis, os órgãos reguladores avançam em uma frente paralela de apuração. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deu início nesta semana a uma análise técnica estruturada sobre o Grupo Master, a gestora REAG e outras entidades conexas.

A investigação foi autorizada pelo Comitê de Gestão de Riscos da autarquia, que instituiu um grupo de trabalho com prazo estimado de até três semanas. O foco é consolidar informações já reunidas pelas áreas de supervisão, fiscalização e acusação da CVM, além de examinar comunicações feitas a outros órgãos públicos e o andamento de procedimentos correlatos.

Ao fim dos trabalhos, a CVM deverá produzir um relatório técnico para deliberação interna, com possibilidade de recomendações sobre ajustes regulatórios, práticas de supervisão e mecanismos de cooperação institucional. No Senado, a subcomissão da CAE também prevê um ciclo de audiências públicas para discutir a liquidação extrajudicial do banco, a atuação dos órgãos de controle e eventuais falhas reveladas pelo caso.