Lula diz que não aliviará para Lulinha

Em entrevista, presidente fala de INSS e encontro com Master

Por Gabriela Gallo

Lula diz que seu filho "vai pagar o preço", se estiver envolvido

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que caso o seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, esteja envolvido no esquema de desvios ilegais de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ele será devidamente responsabilizado. A declaração foi realizada em entrevista ao UOL nesta quinta-feira (5).

“Qual é a orientação do governo? Investigue o que tiver que investigar. Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei ele aqui [no Palácio do Planalto]. Olhei no olho dele e falei: ‘Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço. Se não tiver, se defenda’”, afirmou o presidente.

“O processo [dos desvios do INSS] ainda não acabou, mas você pode ter certeza de que todos vão para a cadeia e que o patrimônio que eles construíram vai ser ressarcido para pagar os benefícios. E se tiver alguém meu envolvido nisso, vai pagar o mesmo preço, porque a lei é para todos”, reiterou Lula.

Lulinha

Em meio às investigações sobre os desvios de recursos para beneficiários do INSS, o nome de Lulinha entrou na mira das investigações por suposta relação com o empresário e lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “careca do INSS”. Durante fase da Operação “Sem Desconto” da Polícia Federal (PF), foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra a empresária Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha. Segundo apurações da PF, Luchsinger chegou a receber transferências de R$ 300 mil, dinheiro este que Antunes declarou que seria um dinheiro destinado ao “filho do rapaz”. A PF aponta possíveis citações a Lulinha nos materiais apreendidos.

Nesta quinta-feira, o presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os desvios do INSS, senador Carlos Vianna (Podemos-MG), destacou que a comissão convocará Lulinha e o irmão de Lula e dirigente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico. “Esses requerimentos vão ser colocados na primeira oportunidade. Cada parlamentar votará de acordo com a sua consciência”, destacou o presidente da comissão mista em conversa com a imprensa.

Master

Sobre os problemas das fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, Lula justificou um encontrou que teve, fora da sua agenda, com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em novembro de 2024, antes do banco falir. O presidente justificou que já recebeu representantes de outros bancos (como Itaú, Bradesco, BTG Pactual, etc) fora do seu horário de agenda, então o Banco Master seria mais um. Na época, Vorcaro disse que estava sendo vítima de “perseguição”. Segundo Lula, quem articulou o encontro foi o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, que atuou no comando da pasta entre 2015 e 2016.

O petista completou que, na época, disse a Vorcaro que não haveria “posição política pró ou contra o Banco Master”.

“Você [Daniel Vorcaro] fique tranquilo que a política não entrará na investigação do seu banco, o que vai entrar é a competência técnica do Banco Central para saber se está errado ou não está errado, se você quebrou, se não quebrou, se tem dinheiro lavado ou não tem. E é isso que está sendo feito”, afirmou Lula. Ele ainda completou que irá se aprofundar nas investigações envolvendo o Master, mas amenizou o possível contato de Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, com a entidade.

Conselho de Paz

Questionado se o Brasil irá aderir ao Conselho de Paz sobre Gaza proposto pelo presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump (Republicano), Lula disse que o Brasil tem interesse em participar da discussão acerca da paz na Faixa de Gaza. Contudo, ponderou que o país somente deve aderir caso os Estados Unidos aceitem a exigência brasileira de que os palestinos sejam incluídos no debate sobre o tema.