Líderes ajustam pauta da Câmara antes do Carnaval

Mesmo antes do fim do recesso, Hugo Motta definiu o que irá votar. CPI do Banco Master fica fora da agenda

Por Beatriz Matos

Por enquanto, Câmara não discute CPI do Master

Antes da retomada oficial dos trabalhos legislativos, marcada para a próxima segunda-feira (2), o colégio de líderes da Câmara dos Deputados se reuniu nesta quarta-feira (28), na Residência Oficial da Casa, em Brasília, para alinhar a pauta do Congresso no período que antecede o carnaval.

O encontro, o primeiro de 2026, ocorreu em meio a um calendário encurtado: após o retorno do recesso iniciado em 23 de dezembro, os deputados terão pouco mais de dez dias úteis de votações antes da nova paralisação, entre 14 e 22 de fevereiro.

A reunião serviu para ajustar o funcionamento mínimo da Casa nas próximas semanas, com a definição dos comandos das comissões permanentes, a priorização de duas medidas provisórias em fase final de vigência e a organização do debate de temas considerados estruturantes, como a segurança pública e o acordo União Europeia x Mercosul.

Comissões

Segundo o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), houve consenso em torno da proposta apresentada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que mantém a distribuição das presidências das comissões entre os mesmos partidos que comandaram os colegiados em 2025. A mudança ficará restrita aos nomes indicados por cada bancada.

A expectativa é de que as legendas concluam as indicações ainda antes do feriado. “Essa é a prioridade das prioridades. Cada bancada vai ter a próxima semana para discutir isso e compor tudo antes do Carnaval”, afirmou Guimarães após a reunião.

Medidas provisórias

No mérito legislativo, os líderes acertaram a inclusão na pauta de duas MPs com prazo de vigência avançado. A primeira é a MP 1312/25, que abre crédito extraordinário de R$ 83,5 milhões para ações no setor rural e aguarda análise na Comissão Mista de Orçamento (CMO). A segunda é a MP 1313/25, que institui o Programa Gás do Povo, voltado à garantia da gratuidade do gás de cozinha para famílias de baixa renda.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), reforçou que, neste primeiro momento, a Casa deve concentrar esforços apenas na pauta da próxima semana, com foco nas MPs consideradas essenciais pelo governo. Segundo ele, a prioridade é destravar matérias com impacto social direto antes da nova pausa no calendário legislativo.

Segurança pública

Outro ponto tratado foi a retomada do debate da Proposta de Emenda à Constituição nº 18/2025, a PEC da Segurança Pública, que busca integrar a atuação da União e dos estados no combate ao crime organizado. O relator da proposta, deputado Mendonça Filho (União-PE), já marcou reunião com o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, como parte da articulação em torno do texto.

De acordo com Guimarães, a expectativa dos líderes e da Presidência da Câmara é avançar na discussão ainda antes do Carnaval, com a meta de aprovação da matéria na comissão especial para o dia 23 de fevereiro. Desta forma, a votação em plenário deve ficar para depois do feriado.

Fora da pauta

Temas mais sensíveis ficaram fora da agenda imediata. Entre eles, a pressão pela abertura de uma CPI para apurar o caso do Banco Master. Guimarães argumentou que não há espaço regimental neste momento, já que outras 17 comissões parlamentares de inquérito aguardam na fila. O líder Lindbergh, por sua vez, afirmou que o discurso do governo seguirá sendo o de combate ao crime organizado “do andar de cima”, mas reconheceu que o tema não avançou na reunião de líderes.

Também não houve encaminhamento sobre o PL Antifacção, que propõe um novo marco legal para o enfrentamento ao crime organizado. Segundo os líderes, a reunião se limitou a definir a pauta das duas semanas que antecedem o novo recesso e o assunto deve ficar para depois.

Já o acordo entre Mercosul e União Europeia, assinado em 17 de janeiro, foi tratado como prioridade política, mas depende do envio formal do texto ao Congresso. O líder governista Guimarães disse que pretende discutir o tema com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e que há interesse do presidente da Câmara em levar a matéria à votação ainda antes do Carnaval, caso o documento chegue à Casa a tempo.